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‘The Angel’s Share’ traz Ken Loach com final feliz

Flavia Guerra

21 de maio de 2012 | 21h40

Mestre  britânico do cinema hiper realista filma fábula pós-moderna sobre a luta de um jovem infrator para voltar a ‘ter uma vida normal’

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Título faz alusão à ‘cota dos anjos’ na produção de whisky que evapora todo o ano

CANNES – Pode um jovem que ‘não fez uma boa largada na vida’ quebrar o histórico de má sorte e traçar um novo caminho? Má sorte esta que começa na classe social, nas dívidas de vida, e morte, herdadas dos pais, na falta de boa educação, de boas maneiras, de bons amigos, de bons contatos… Na vida de dfkasjfl falta quase tudo. Mas sobra inteligência, coragem e bom humor. Sim! Um Ken Loach cheio de bom humor, quase solar (não fosse o tempinho que sempre faz na Escócia, onde o filme se passa) foi o que se viu na noite de segunda na Croisette.

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O diretor inglês, vencedor da Palma de Ouro em 2006 por Ventos da Liberdade, volta ao festival com uma fábula pós-moderna sobre um jovem infrator, morador do Eastend de Glasgow que se livra da prisão por conta da compaixão de um juiz que vê nele a sagacidade necessária para deixar de vez o mundo da delinquência. Ele está prestes a ser pai. É sua última chance. Ou muda de atitude e de vida ou perde o filho e a namorada para sempre.

No meio de seu novo caminho, tem alguma pedras. Há os antigos hoodies inimigos, os brutamontes da família da namorada, o sistema, a falta de oportunidade. E é exatamente uma oportunidade que ele precisa para sair desta vida.

Curiosamente, é no álcool, mais precisamente no whisky, que reside sua chance de ouro. Ken Loach é britânico o suficiente para saber fazer ironia com a paixão nacional pelo booze (algo como ‘birita’). A sociedade que enfrenta altíssimos índices de alcolismo (sobretudo entre os jovens) é a mesma do sofisticado mercado de leilões de luxo de whiskies raros.

O que a falta de oportunidade, a delinquência juvenil, o whisky e o protagonistas têm em comum? Em que dose isso tudo se mistura para formar o blend da história? Só mesmo Ken Loach para contar, e filmar.

Pela primeira vez em seis dias de festival, pode-se afirmar que um final foi feliz! Ah, Angel’s Share é algo como ‘A cota dos anjos’, ou os 2% da produção de todo o whisky do mundo que literalmente evapora todo ano. Desaparece no ar, no sistema de produção. Ken Loach finalmente vê um caminho para seus personagens sempre tão sofridos. E os anjos dizem Amém!

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