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Robert Pattinson sobre Cosmópolis: “Às vezes penso que o mundo merecia ser limpo e lavado”

Flavia Guerra

25 de maio de 2012 | 08h38

Para o ator, que estrela novo filme de David Cronenberg, esta é uma história sobre esperança

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CANNES – Robert Pattinson pode não levar a Palma de melhor ator, mas leva com folga o troféu de galã do Festival de Cannes 2012. A coletiva de imprensa de Cosmópolis, novo filme de David Cronenberg, que integra a competição oficial do festival, foi uma das mais concorridas até agora.  Antes de iniciar a batelada de questões, o moderador adverter: “Por favor, deixem a cama e os assuntos de vampiro de fora desta conversa.”

A imprensa obedeceu e o que se seguiu foram declarações contundentes do astro que cada vez mais se distancia da imagem de galã adolescente e se torna um ator de grande porte. Em Cosmópolis ele vive é Eric Packer, um jovem milionário que circula pelas ruas de Nova York refugiado em seu próprio mundo, ou melhor, em sua limusine. O longa retrata um dia na vida de Packer, que começa sua jornada com um único desejo: cortar o cabelo. Para isso, vai ter de cruzar a cidade até chegar no velho barbeiro que o conhece desde menino. Terá também de encarar uma cidade caótica, em que personagens surreais rondam as ruas, outros tantos entram e saem do microcosmo que a limusine representa, protestos anti-capitalismo.

Questionado sobre as semelhanças entre sua vida como celebridade, que o obriga muitas vezes a circular por espaços fechados e ter pouco acesso à ‘liberdade de circular’, o ator afirmou que não via muita semelhança. E ganhou a ajuda de Cronenberg para responder: “Não há semelhanças entre a vida deles porque Pattinson tem de lidar com o fato de ser uma celebridade. Já o Packer não é famoso. Ele é um cara que força todos venham par ao seu mundo.  Criou a limosine para ser seu barco, viver ali completamente isolado. Gosto da estrutura de que ele força todo mundo a fazer tudo para ele. É um cara estranho e silencioso.”

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Baseado no romance homônimo de Don DeLillo, Cosmópolis era um dos filmes mais aguardados deste festival e exigiu dedicação e empenho de Pattinson. “Era um projeto diferente de tudo que já havia feito.  Minha preparação, basicamente, foi passar duas semanas no meu hotel… Me preocupando… E aí quando a gente estava quase filmando, disse para David: Você quer falar sobre o filme?’ E chegamos à conclusão de que isso não importava. “Vamos começar a filmar  e pronto!”

Para a equipe do filme, manter a fidelidade ao livro de DeLillo era a única forma de retratar este universo em desencanto. Sensorial e sofisticada, a narrativa visual de Cronenberg traduz quase com perfeição o universo criado pelo escritor em 2007. “Eu não queria mudar nada do livro. Nem mesmo a pontuação. Quando a gente faz um filme, muitas vezes cria e acrescenta algumas coisas, mas não era preciso neste caso”, comentou Pattinson sobre sua contribuição para suas falas. “As palavras deste filme são tão perfeitas que sentia como se estivesse cantando uma canção e não fazendo um filme. Muitas vezes, mexer no que já está ótimo é até bobo. E além do mais, atuar não é algo para a qual você precisa ser inteligente.”

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Ainda que seja um universo caótico, em que Packer atravessa a cidade ao mesmo tempo em que atravessa toda sua vida, e vê no colapso de um sistema também o colapso de sua vida, tanto diretor quanto ator acreditam que Cosmópolis não é um filme pessimista.  “É sobre o fim do mundo, mas é também sobre a esperança. E eu comecei a pensar nisso… A esperança nele é representar um mundo que não faz sentido nenhum para ninguém. E o mundo financeiro é meio isso. Às vezes penso que o mundo merecia ser limpo e lavado. Pode parecer meio deprimente isso, mas é verdade.”

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