QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA? Ou ‘O Fim do London Paper’
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QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA? Ou ‘O Fim do London Paper’

Flavia Guerra

21 de setembro de 2009 | 07h39

Londres

PRÓLOGO:

Este blog, e esta blogueira, após longa pausa para elaboração de dissertações acadêmicas, coberturas jornalísticas e idéias em geral sobre Londres, volta à ativa.

Um leitor, não identificado, deixou mensagem há pouco afirmando que ‘era de se esperar que este blog não progrediria’.

A blogueira aqui, que anda se perguntando o que anda sendo progresso nos tempos atuais, gostaria de ressaltar sempre que concisão não é um de seus pontos mais fortes. Mas que anda aprendendo mais do que nunca que, como dizem os ingleses, Silence is Gold. Ou, com o nosso jeito brasileiro de ser sábio, quando não se tem nada a dizer, melhor ficar calado. Um amigo inglês comentou, sobre a pressa de se ter sempre algo novo a dizer a todo momento nos blogs (cuja premissa básica é que sejam diariamente alimentados) que vivemos o fim do processo de ‘input’ e ‘output’. Para ele, o momento do input é a hora de ‘botar para dentro’ o tanto de informação que anda circulando pela Europa nestes tempos. O output é a hora de botar para fora. Tem lá sua razão… Blogueiro tira férias escolares? Quando tira, tem de avisar o leitor, right?
Enfim…voltemos a Londres.

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Ultimo exemplar do London Paper distribuído na última sexta-feira

QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA? Ou ‘O Fim do London Paper’

Entre outros eventos, o London Paper, o fast food news mais amado e odiado da capital inglesa, parou suas máquinas na semana passada. Em tempos internéticos e blogueiros, perder um dos poucos prazeres ao andar de metro pela cidade é algo de fato triste.

Não só pelo fato de que, jornalista que sou, o prazer de folhear um jornal jamais vai ser comparado com o de navegar pela internet. São naturezas complementares, mas diversas.

De fato o triste é ver que, por mais ‘barato’ que tenha sido o London Paper em seus três anos de vida, era fonte inesgotável de ‘inputs’ sobre o British way of life. Como vivem, trabalham, namoram, paqueram (o correio elegante do London Paper era concorridíssimo), divertem-se, fofocam os ingleses podia ser lido e relido todos os dias em viagens intermináveis pelas linhas do metro londrino.

Neste mundo vasto e rápido, cada vez mais pergunta-se: Quem lê tanta notícia? Os londrinos liam. Distribuído gratuitamente, o London Paper competia diariamente com o London Lite e com o Metro.

Eu, particularmente, prefiro ‘pegar de graça’ um London Paper a pagar 25 centavos por um The Sun que estampa na nobre página 04 a foto de uma pelada (e não é a do futebol…) todos os dias. Detalhe, não é o nobre Guardian o jornal mais lido da Inglaterra. É o The Sun. Mais de dois milhões de pessoas compram o ‘Notícias Populares série B’ todos os dias na terra da Rainha…

Enfim, ver um jornal morrer é sempre triste. E ainda mais pelo fato de que NÃO foi por falta de notícia que o London Paper fechou suas portas. Foi por falta de anúncio. É… dizia-se semana passada, o ‘credit crunch’ chegou até aos jornal gratuitos nosso de cada dia…

Já que anda se falando que a crise já está passando, e indo embora com os ventos que também levam a ‘febre da gripe suína’, quem sabe as vendas não voltem a aquecer logo o Mercado inglês. Quem sabe as máquinas do London Paper voltam a rodar mais rápido que os trens…

Em tempos de crise, informação, ainda que seja ela uma inútil fofoca sobre a nova roupa da Victoria Beckham, é sempre necessária.

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