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Quarto dia de competição: Violência e Exorcismo na Croisette

Flavia Guerra

19 de maio de 2012 | 15h53

 

Lawless (Sem Lei), de John Hillcoat, tem elenco como ponto forte, enquanto romeno Beyond The Hills é o primeiro forte candidato a uma Palma

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             O romeno Behind The Hill (Atrás da Colina) pode dar uma segunda Palma a Christian Mungiu

 

Flavia Guerra/ Cannes

O quarto dia na Croisette começou com violência e exorcismo. Lawless (Sem Lei), de John Hillcoat, causou tamanho mal estar que alguns membros da imprensa deixaram a sessão nesta manhã. Se depender da reação da crítica, as sessão de gala na noite desta sexta promete ser uma das mais agitadas do festival. Já o segundo filme do romeno Christian Mungiu a competir a uma Palma de Ouro (o primeiro foi 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias em 2007), Dupã Dealuri (Beyond the Hills), causou impacto ao trazer a história de uma jovem que morre em uma tentativa de exorcismo em um monastério isolado.

 

Vigoroso, o longa mistura com maestria o choque entre fé e amor e é inspirado em um caso real, ocorrido em 2005.  Neste local isolado, em que vivem duas jovens, a delicada Alina (Cristina Flutur), que vê sua vida mudar após decidir visitar uma amiga de infância, Voichita (Cosmina Stratan). Elas já foram inseparáveis, mas Voichita acabou entrando para uma comunidade religiosa cujo rigor beira o irracional. Alina é laica e tem opiniões fortes e próprias. A comunidade tem um líder carismático e dogmático, que sustenta uma visão muito particular do pecado.  Não demora muito para que o comportamento de Alina seja considerado herege pelo padre. E é então que o exorcismo se revela uma solução. Para Mungiu, não se trata de um filme político. Afinal, poderia fazer clara alusão ao regime comunista e uma sociedade que tenta manter sua liberdade diante de políticas totalitárias. “Esta observação até faz sentido. E foi difícil, por exemplo, filmar na Romênia por conta da forte presença, e poder, da Igreja Ortodoxa no país. Mas este é um filme que fala de amor e de como somos capazes de abrir mão de nossas convicções para ficar próximos de quem amamos.”

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Lawless (Sem Lei): violeto e com elenco estelar

Engenhoso, mas, ao mesmo tempo simples, é o primeiro filme a ser exibido em competição que tem estofo para levar para casa o grande prêmio. Será o ano do bicampeonato de Mungiu? Questionado sobre o impacto que as cenas causam na plateia, Mungiu foi categórico: “Não quero que as pessoas gostem do filme, mas sim que pensem e que o longa contribua para que elas construam uma opinião.”

 

De volta a Lawless, no estilo melhor estilo Bonnie and Clyde (filme que declaradamente inspirou o diretor), conta com um elenco estelar, que, na verdade, é seu ponto forte, Tom Hardy, Shia LaBeouf, Guy Pearce, a bela Jessica Chastain, Mia Wasikowska, Gary Oldman. Na trama, que se passa na década de 20, auge da Lei Seca,  um grupo de irmãos produzem, e vendem, álcool ilegalmente. Obviamente que a empreitada vai causar problemas e, bem a gosto dos bons filmes de ação, muita violência. Nitidamente não é favorito às Palmas, mas é bem realizado e perfeito para agradar a plateia de uma matiné de domingo.

Nos próximos dias será a vez de outros veteranos mostrarem seus novos trabalhos: Michael Haneke (Palma em 2009 por A Fita Branca) com Amour, Tomas Vintenberg com Jagten,  Ken Loach com The Angel’s Share e David Cronenberg com Cosmopolis (estrelado por Robert Pattinson).

 

 

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