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Quantos Festivais de Cannes existem?

Flavia Guerra

30 de maio de 2012 | 20h58

O texto abaixo foi publicado em uma das edições do Ipad Estadão, mas é um balanço válido sobre quantos Festivais de Cannes realmente existem. Quem pensa que só o de cinema está enganado:

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Flavia Guerra/Cannes

Há muitos festivais no Festival de Cannes Flavia Guerra/Cannes Quem pensa que existe só um Festival de Cannes está muito enganado. É fato que o maior evento cinematográfico do mundo é único. Mas também é fato que há muitos Festivais de Cannes. E isso só se descobre quando a Croisette deixa de ser um nome francês demais para se tornar o nome de uma avenida da praia badalada, mas real. Tão real quando o paradoxo de achar ‘normal’ que em frente ao mar uma simplória sorveteria com ares de anos 50 divida a mesma calçada com a Prada, a Louis Vuitton a Ferragamo, a Dolce&Gabbana… Quem em sã consciência compraria um vestido de gala na Prada em frente ao mar? Alguém que tem poder de fogo no bolso e foi convidado às pressas para alguma sessão de gala no Theatre Lumière, no Palais des Festivals, compraria.

E Cannes é assim. Muito real em sua surrealidade. Surreal e também real são os outros Festivais de Cannes que ocorrem enquanto a imprensa mundial está mais interessada em saber se Kristen Stewart sofreu muito com as cenas de sexo em Na Estrada. Alem das mostras paralelas Un Certain Regard (Um Certo Olhar), da Quinzena dos Realizadores, da Semana da Crítica, há dezenas de outras sessões especiais, como Cannes Classics, como as da Cinefondation, do Mercado, entre outras, que fazem de Cannes um festival também do cinema alternativo e de vanguarda.

Aliás, por falar em mercado, há um mundo de trocas, vendas, contratos fechados, negócios começados, fechados, discutidos…. no submundo de Cannes. Submundo sim. É no subsolo do Palais des Festival (o QG do Festival, onde quase tudo ocorre, de coletivas de imprensa a sessões especiais, workshops e debates) que ocorre o Mercado. Por isso se entenda uma feira de produtoras e representantes de dezenas de países. Em estandes que literalmente brigam pela atenção de quem passa por lá, o melhor do cinema do mundo tenta se vender e atrair parcerias. O Brasil está lá com o Cinema do Brasil, a frente que leva o cinema nacional para os principais eventos do mundo.

Todo ano, duas ‘tardes de caipirinha’ são realizadas. Nem é preciso dizer que a happy hour brasuka é garantia de badalação. Produtores de todo o mundo, e estandes, vêm conferir o que é que a cachaça tem… Se negócios são fechados nestes meio tempo, já outra discussão, mas que os profissionais do cinema nacional fazem muitos amigos e influenciam pessoas, isso é inegável. Quem não fez nenhum amigo ou não influenciou ninguém no mercado ainda tem a chance de fazê-lo em uma das dezenas de festas que ocorrem pela cidade. Tem para todos os gostos. Galas pomposas, festas do cinema alternativo, ‘jantares dançantes’, almoço oficial com o prefeito para a imprensa internacional… Aliás, este almoço já faz parte do calendário do festival e é assunto que vale outro comentário à parte. Por ora, é hora de correr para mais uma sessão! Corta!

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