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Paulínia premia ‘A História da Eternidade’ e valoriza o jovem cinema brasileiro

O 6º Festival de Cinema de Paulínia acaba de premiar os melhores desta edição. É interessante observar o polo ressurgindo após um período de crise que quase pôs fim às atividades de produção e a uma das maiores plataformas de lançamento das novas safras do cinema nacional.

Flavia Guerra

27 de julho de 2014 | 23h20

Dos nove diretores em competição, Camilo Cavalcante, Fellipe Barbosa, 

Carolina Jabor  e Davi Pretto fizeram sua estreia em longas de ficção

O 6º Festival de Cinema de Paulínia acaba de premiar os melhores desta edição. É interessante observar o polo ressurgindo após um período de crise que quase pôs fim às atividades de produção e a uma das maiores plataformas de lançamento das novas safras do cinema nacional.

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Camilo Cavalcante, à frente de sua equipe, agradece o prêmio de melhor filme do festival

“Foi muito difícil tomar esta decisão. A cada filme que escolhíamos, tínhamos de deixar outros oito filmes de fora, que nos tinham agradado. Foi uma excelente seleção”, comentou o presidente do júri, Artur Xexeo. De fato, ao lado de Anna Muylaert, Carlos Cuadros, Renata de Almeida e Thiago Dottori, Xexeo teve a árdua missão de apontar um vencedor entre uma seleção de nove longas tão diversos quanto surpreendentes.

E o que se revelou com a premiação foi a valorização de justamente novos nomes e talentos do audiovisual. A começar pelo melhor filme da competição de longas-metragens. A História da Eternidade, do pernambucano Camilo Cavalcante, levou não só o prêmio de melhor filme como também de melhor direção, melhor ator para Irandhir Santos e de melhor atriz (triplo para Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e Debora Ingrid) e prêmio da crítica especializada.
“Emoção muito grande receber este prêmio. Foi muito importante estar aqui”, disse Zezita. “É uma alegria imensa, do tamanho do mar da Alfonsina. Todos doaram muito de si. Fico muito feliz de ter participado. Obrigada'”, declarou Ingrid.

Quem entregou o prêmio de direção foi a secretária de cultura de Paulínia, Mônica Trigo. “Queria agradecer o meu elenco. Só sou diretor porque tem elenco, tem roteiro, tem equipe. Sou um eterno aprendiz”, agradeceu Cavalcante, que ganhou a plateia que lotava o Theatro Municipal Paulo Gracindo na noite de domingo.

 

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Fellipe Barbosa agradece ao prêmio do júri

 

Já o troféu Menina de Ouro de melhor filme foi a anunciado pelo atual prefeito da cidade, Edson Moura Jr, que anunciou A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante. “A sessão de ontem foi muito emocionante. Fala de amor. Foi frio com muito amor. Cinema é coletivo. Agradeço demais, de coração. Amanhã vou entender melhor o que aconteceu aqui”, agradeceu Cavalcante.

Outro pernambucano que foi destaque no festival, mas que levou somente prêmios técnicos foi Sangue Azul. Apontado como um dos mais belos filmes da seleção e um dos melhores da carreira do diretor Lírio Ferreira, o longa estrelado por Daniel de Oliveira levou o prêmio de melhor fotografia para Mauro Pinheiro Júnior. “É muito difícil filmar o paraíso. Porque ele pode ser enjoativo. Ele filmou homeopaticamente e fez isso muito bem”, declarou Ferreira.

Outro grande vencedor da noite foi Casa Grande, de Fellipe Barbosa. O longa recebeu o prêmio especial do júri, de melhor ator coadjuvante para Marcello Novaes, de melhor atriz coadjuvante para Clarissa Pinheiro e melhor roteiro para Barbosa e Karen Sztajnberg. “Estou muito feliz. É de vocês o filme. Não é mais meu. E sobre este prêmio de roteiro, é especial. Outro dia um amigo perguntou se eu tivesse que escolher três coisas, dirigir, escrever ou produzir, o que eu escolheria. E respondi que escolheria escrever. Não posso viver sem escrever. Obrigada”, agradeceu Barbosa ao receber o prêmio de melhor roteiro. Já ao receber o troféu pelo prêmio do júri, o diretor brincou: “Gostei muito desta menina. Estou muito feliz.”

Já o prêmio do público para melhor longa foi para Boa Sorte, de Carolina Jabor. “Estou muito feliz. Enfrentamos muitos percalços no início deste projeto. Muitos perguntavam se poderia ser ser comédia do Jorge Furtado. Pelo seu tema, parecia que não era um filme comercial”, declarou Carolina. “E quando finalmente fomos filmar, não tinha todo o orçamento e ainda por cima fiquei grávida. E não quis adiar o filme. Fizemos como pudemos e com uma equipe raçuda. Obrigada a todos”, completou a diretora.

 

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O curador do festival Rubens Ewald Filho e o diretor Cacá Diegues

Encerrando a noite, o cineasta Cacá Diegues foi o grande homenageado da noite. “Também gostei da Menina de Ouro. É muito emocionante receber este prêmio, no momento que marca o retorno do polo cinematográfico de Paulínia, que já foi importante, que se misturou à ideia de Retomada do cinema brasileiro. Ele mostrou na pratica a diversidade e a qualidade do cinema brasileiro atual”, comentou o diretor de longas como Deus é Brasileiro. e Bye Bye Brazil. “É interessante observar que quase todos os filmes premiados são primeiros filmes ou de jovens. Quando a gente começa a reveber homenagens é porque está ficando velho. Mas pode saber que eu nunca vou pedir aposentadoria. Vou continuar fazendo meus filmes até que minhas forças existam. E sei que elas vão continuar a existir porque o que faz com que elas existam é o meu grande amor pelo cinema brasileiro”, encerrou Diegues.

Confira a lista completa dos premiados

Longa-metragem

Melhor Filme: A HISTÓRIA DA ETERNIDADE, de Camilo Cavalcante
Melhor Direção: CAMILO CAVALCANTE, por A História da Eternidade
Melhor Ator IRANDHIR SANTOS, por A História da Eternidade
Melhor Atriz: MARCÉLIA CARTAXO, ZEZITA MATOS E DEBORA INGRID, por A História da Eternidade
Melhor Ator coadjuvante: MARCELLO NOVAES, por Casa Grande
Melhor Atriz coadjuvante: CLARISSA PINHEIRO, por Casa Grande
Melhor Roteiro: FELLIPE BARBOSA E KAREN SZTAJNBERG, por Casa Grande
Melhor Fotografia: MAURO PINHEIRO JÚNIOR, por Sangue Azul
Melhor Montagem: EVA RANDOLPH, por Aprendi a Jogar com Você
Melhor Som: THIAGO BELLO por Castanha
Melhor Direção de arte: CLAUDIO AMARAL PEIXOTO, por Boa Sorte
Melhor Trilha Sonora: JULIANA ROJAS, MARCO DUTRA E RAMIRO MURILO, por Sinfonia da Necropole
Melhor Figurino JULIANA PRYSTHON, por Sangue Azul
Especial Júri: FELLIPE BARBOSA, por Casa Grande

Curta-metragem
Melhor filme:: O CLUBE, de Allan Ribeiro
Melhor Direção: ALLAN RIBEIRO, por O Clube
Melhor Roteiro: CAROLINA MARKOWICZ E FERNANDA SALLOUM, por Edifício Tatuapé Mahal
Especial Júri: O BOM COMPORTAMENTO, de Eva Randolph

Prêmio do Público
Melhor longa-metragem: BOA SORTE, de Carolina Jabor
Melhor curta-metragem: O CLUBE, de Allan Ribeiro
JÚRI ABRACCINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema
Melhor longa-metragem: A HISTÓRIA DA ETERNIDADE, de Camilo Cavalcante
Melhor curta-metragem: O CLUBE, de Allan Ribeiro

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