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‘O Menino e o Mundo’ vai competir no Festival de Animação de Annecy

Flavia Guerra

24 de abril de 2014 | 20h23

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Filme já levou diversos prêmios internacionais e vai estrear em vários países

O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, vai representar o Brasil no Festival Internacional de Animação de Annecy, o mais importante do mundo, que ocorre de 9 a 14 de junho.

Esta é a segunda vez consecutiva que o Brasil integra a mostra do evento que é também chamado de “Cannes da Animação.” Em 2013, Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi, foi o primeiro longa de animação brasileiro a vencer o festival. “Esta é uma ótima fase para a animação brasileira. Estou muito feliz. O filme já participou de dezenas de festivais e integrar Annecy é fechar este ciclo com chave de ouro”, declarou o diretor.

Em O Menino e o Mundo, um garoto parte de sua pequena aldeia em busca de seu pai, que deixou a família para se aventurar por caminhos não muito coloridos.  Seguindo o som da flauta tocada pelo pai, o menino conhece um universo vertiginoso e, ao mesmo tempo, muito real, em que questões como as condições precárias de trabalho no campo e a exploração da mão de obra operária nas fábricas das grandes cidades se contrapõem a imagens poéticas e líricas.  “A história nasceu de forma natural.  Eu pesquisava para um outro projeto, Canto Latino, um anima-doc sobre a formação social e política da América Latina.  Um dia encontrei em um dos cadernos de anotações, o rabisco de um menino que me encantou pelo jeito de ter sido desenhado, em que o rigor se somava à liberdade dos traços”, comentou Abreu.
Entre os 19 festivais dos quais o longa já participou, estão os mais importantes do circuito internacional, como Festival de Ottawa, Festival de Animação de Lisboa, Festival do Rio, o festival de cinema independente Bafici, em Buenos Aires, entre outros. “Temos já pela frente outros 12 festivais e, apesar dele não ter estreado em grandes redes de cinema no Brasil, ficando mais restrito às salas mais cults, no exterior vamos estrear em breve na Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, entre outros”, informa o diretor.
 Exemplo da geração que conquistou o sonho de realizar longas de animação no Brasil, Abreu, que estreou na direção de longas com O Garoto Cósmico, vê com otimismo o futuro da produção nacional.  “Estamos formando gente, produzindo, conquistando espaço.  Ainda é uma arte difícil, mas é bom o momento”, conta ele, que trabalhou três anos em O Menino e o Mundo.
A campanha de O Menino e o Mundo, ao lado da campanha internacional de Uma História de Amor e Fúria, prova que o Brasil não só cresce como amadurece sua produção de animação. Se houve o momento de projetar internacionalmente um cinema de ficção que vai muito além do gênero ‘filme favela’, esta é a hora de projetar o cinema de animação brasileiro, principalmente o de longa-metragem.  Amor e Fúria passou perto de uma indicação ao Oscar este ano. Para 2015, a torcida, e as chances, de O Menino e o Mundo ganham força.
O Menino e o Mundo ainda está em cartaz no Brasil. Em São Paulo, no Espaço Itaú Augusta, diariamente às 14h40.

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