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Destaques da Semana: Batman e as máscaras da violência

Flavia Guerra

26 de julho de 2012 | 21h29

 

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Uma semana depois da tragédia em sua pré-estreia no Colorado, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. É  filme da trilogia que começou com Batman Begins” (2005) e “Batman – O Cavaleiro das Trevas. Ainda que não haja ligações diretas do atentado com a trama do terceiro longa da trilogia de Christopher Nolan, não há como não relacionar a violência do crime real com a violência do universo de Gothan City. Como o próprio Bruce Wayne (ou Batman) diz, a máscara é só um símbolo. E não seria o filme também um símbolo do mundo violento em que estamos vivendo?  Não por acaso Nolan (que se tornou cult com Amnesia e A Origem) traz desta vez uma Gotham à beira de uma revolução que, liderados pelo vilão Bane (Tom Hardy) irão promover uma revolução dos menos favorecidos contra os ricos Que, como bem diz a Mulher Gato/ Selina (Anne Hathaway), viveram sempre com tanto e deixaram tão pouco para os outros? Pois desta vez são estes outros que querem tomar o poder e gritar palavras de ordem como “Occupy Gotham”? Qualquer semelhança com Occupy Wall Street não é mera coincidência. E já que o mundo anda precisando de homens de verdade e de caráter em tempos de crise, desta vez a gente vê a implosão do Homem Morcego e a ressureição de Bruce Waine, o homem. Quer entender mais o que esta metáfora política diz, sob os barulhos de tantos tiros e explosões do filme? Não perca. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge!

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O segundo destaque vai para um dos meus diretores preferidos, o italiano Paolo Sorrentino. Se você nunca viu um filme dele, não sabe o que está perdendo. Paolo é um dos cineastas mais criativos e inquietos do circuito internacional. Desde Manual do Amor até O Divo, passando por O Amigo de Família, seu cinema é daqueles que mexem com os sentidos, que fazem uma coreografia dos fatos, que são lindos e que incomodam ao mesmo tempo. E seu novo filme, Aqui é o Meu Lugar, estrelado por ninguém menos que Sean Penn, mantém sua fama. Na trama, Penn é Cheyenne, um astro de rock americano que vive isolado em Dublin, na Irlanda e tem de voltar aos Estados Unidos depois da morte do pai.
Qualquer semelhança entre a figura andrógina de Cheyenne e a do vocalista do Cure, Roberty Smith, talvez não seja mera coincidência. E o mais interessante é que esta figura até um tanto frágil vai constrastar com a dureza do conflito com que ele se depara ao descobrir que o pai, a quem ele não via há 30 anos, era obcecado por encontrar um ex carrasco nazista. Penn, que conheceu Sorrentino no Festival de Cannes, disse que queria dar um tempo no estilo cinemão de Hollywood. E isso vale para o espectador. É sempre bom refrescar o olhar com uma linguagem diferente. E o roteiro… O desfecho, bem ao gosto de Sorrentino, é surpreendente.

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O último destaque vai para Além da Liberdade (The Lady). O nome em inglês do novo filme de Luc Besson, faz referência à Suu Kyi, a Dama que ousou se opor ao governo de seu país, Mianmar (a antiga Birmânia) e que ficou presa por 15 anos. Vivida por Michelle Yeoh, a ativista foi tão importante para o processo de democratização de seu país que recebeu um Nobel da Paz em 1991. Mas não foi receber, pois estava em prisão domiciliar. Depois de muita pressão internacional, Suu Kyi foi finalmente libertada em novembro do ano passado,e a atriz Michelle Yeoh pode não só conhecê-la como ver seu rosto, que não era fotografado há anos. Ótima oportunidade de conhecer um pouco da história desta grande mulher.

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