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Segundo Ninfomaníaca confunde para melhor explicar

Flavia Guerra

07 de março de 2014 | 15h59

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“Meu nome é Joe e eu sou uma ninfomaníaca”, diz a personagem principal de Ninfomaníaca – Parte 2, o filme de Lars von Trier que estreia na próxima quinta-feira nos cinemas.

Ao ouvir Joe (vivida por Charlotte Gainsbourg) se auto-definir como ninfomaníaca, a psicóloga coordenadora  do grupo de terapia de grupo que a personagem está frequentando, corrige:  “Viciada em  sexo.”

É nesta cena que se encontra uma das grandes chaves para se abrir a porta do enigma que se esconde por trás da sexualidade angustiada de Joe.  Semanas depois de tentar eliminar seu vício (sem maiores descrições para não causar spoiler), ela volta a uma reunião do grupo e até tenta se auto-definir como uma viciada em sexo, mas não consegue e declara: “Nós não somos iguais porque a diferença entre mim e vocês é que eu amo minha luxúria.”

São cenas como esta que fazem desta segunda parte não um segundo filme, mas um complemento à primeira parte desta saga, que causou polêmica por onde passou e entrou em cartaz no Brasil com vários cortes.

A primeira parte sem cortes foi exibida no Festival de Berlim em fevereiro, mas não acrescentou muito à trama e nem provocou mais polêmicas ao revelar detalhes anatômicos dos atores que haviam sido suprimidos da versão que entrou em cartaz.

A segunda parte chega em breve aos cinemas do Brasil sob grande expectativa dos que esperam entender vários porquês dos dramas vividos por Joe.

Conclusivo ou não, o fato é que Von Trier continua manipulador habilidoso. Prova disso é que sabe também manipular a mídia e a opinião pública. Depois de ter ido a Berlim com uma camiseta exibindo a Palma de Cannes com os dizeres ‘persona non grata’, correm rumores de que a versão completa de Ninfomaníaca será exibida no próximo Festival de Cannes, em maio. A ver.

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