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“Não se pode controlar tudo”, Robert Pattinson

Flavia Guerra

11 de novembro de 2012 | 13h07

“Às vezes devemos agir por instinto e confiar. E isso é libertador”, disse o ator ao Estado em entrevista exclusiva

Flavia Guerra / LOS ANGELES

 

Quatro anos, cinco longas, US$ 2,5 bilhões de renda arrecadada só com ingressos vendidos em todo o mundo, o primeiro twitter de um filme a ter mais de 1 milhão de seguidores. E uma lição a tirar de um dos fenômenos da cultura pop dos últimos tempos: “Aprendi que não podemos controlar de tudo – muito menos da saga. Há mais de quatro anos, quando iniciamos a filmar, não achava que teria essa dimensão”, contou Robert ‘Edward’ Pattinson ao Estado em Los Angeles há uma semana.

'É como se o Ed fosse um irmão gêmeo', diz Pattinson, sobre seu personagem na saga - Divulgação
Pattinson parece ter aprendido que não pode controlar nem mesmo seus vícios. A cada pergunta, traga seu cigarro elétrico, passa as mãos nos cabelos e, então, responde. “Dizem que esta versão elétrica faz menos mal. Espero”, brinca.

Para quem há pouco enfrentou sozinho a mídia e aos paparazzi com a elegância e sangue frio de um veterano o incidente ‘traição de Kristen Stewart’ (com o diretor Rupert Sanders, em julho), o ator de 26 anos até parece ter controle de (quase) tudo. “Estes meses têm sido um grande aprendizado”, diz.

No último episódio da saga, que estreia mundialmente na quinta, Pattinson/Edward aprende também que não é possível controlar a própria mulher. Em Amanhecer – Parte 2, Bella é uma vampira e se descobre forte, com poder de criar um campo de força à sua volta, crucial para proteger a filha Renesmee (meio vampira, meio humana) e Edward na batalha final contra os Volturi. Sobre esses temas Pattinson deu a seguinte entrevista:

É o clichê dos clichês, mas vamos ter de falar sobre como você se sente sobre o fim da série.
Ah, mas você não precisa perguntar para saber. É só dar um google. (risos)
Boa ideia. E em vez disso podemos falar sobre Paraty.
Isso! Sempre esqueço o nome! É Paraty! Adoro aquele lugar. É incrível. Um dos mais lindos que já visitei. A única coisa chata é que, quando estávamos filmando a primeira parte de Amanhecer lá, havia muitos paparazzi. E sempre me pergunto como poderia voltar lá sem ser necessariamente convidado? Sem ser reconhecido? Adoraria ir a um daqueles restaurantes que ficam nas ilhas. É tão legal!
Há algumas alternativas, mas voltemos à Amanhecer.
Então, é engraçado falar do fim agora porque filmamos o episódio final há um ano e meio. E as pessoas vêm me perguntando sobre como vou me sinto sobre o final da série desde o terceiro filme (Eclipse). Não sei ao certo. Por um lado é um pouco triste, mas por outro já tivemos tanto. E, como os filmes foram lançados e filmados com tão pouco tempo de intervalo, sinto como se estivesse falando sobre Crepúsculo constantemente durante estes anos. Mas acho que é um bom fim para a saga. Quando a gente filma quatro longas sobre uma mesma história, é muito!
Imagino por você. Já que até mesmo para os espectadores é como se víssemos você, Kristen Stewart, Taylor Lautner e os outros praticamente cresceram diante das câmeras.
Exatamente. E as filmagens de Amanhecer 1 e 2 duraram nove meses. É como gerar uma criança! É exaustivo. Mesmo quando comecei, tinha 21 anos, fazendo o papel de um garoto de 17… Hoje já tenho quase 27. Cheguei ao ponto em que já não sei mais quem eu era antes. Não me lembro como eu me lembrava antes de ser o Edward. Nossas performances mudam completamente de um filme para outro, mas não posso me se movimentar com o personagem porque ele está preso a um lugar.
Mas você mudou. Tanto fisicamente, porque todos vocês envelheceram diante do mundo (ainda que vampiros não envelheçam), quanto profissionalmente. Como foi começar a redesenhar sua carreira e fazer papéis fora da Saga, como em Cosmópolis?
E eu mudei muito. Todos nós mudamos. Nenhum de nós poderia fazer todos sem mudar. O primeiro filme que fiz depois da Saga Crepúsculo foi Lembranças, que até hoje ainda é a única coisa que filmei que está muito próxima de quem eu realmente sou. É tipo ‘só um cara normal’. Até agora não encontrei outro personagem ‘normal’ que eu quisesse fazer. Mas não achei difícil e nem fiquei nervoso. E nem foi difícil voltar sempre ao Edward. Era natural porque trabalhei muito para criá-lo pouco antes do primeiro filme, três meses antes de começarmos a rodar Crepúsculo eu já estava trabalhando na voz do personagem. Ainda me sinto como se fôssemos rodar mais um longa da saga a qualquer momento. É como se o Edward fosse quase um irmão gêmeo meu.

É como se fosse alguém da família de milhões de fãs também. É outro clichê, mas sente o peso da responsabilidade de ser modelo para os jovens?
Sim, mas tenho a mesma responsabilidade comigo mesmo. Eu quero ser bom provavelmente mais do que os fãs querem que eu seja. O fato é que os fãs do livro já têm uma opinião muito bem formada. E o que tento fazer é acrescentar algo de novo e surpreendente ao fazer um filme. Dar uma nova perspectiva é o que tento fazer.
Há algo que, sem pieguices, você possa dizer que aprendeu com toda esta experiência? Ainda que talvez superficialmente, esta saga é sobre crescer e amadurecer, não?
Difícil esta, mas é verdade. Acho que aprendi muito com o desenvolvimento do próprio personagem do Edward. Basicamente aprendi que na vida a gente não pode controlar tudo. E no filme ele aprende a ‘let it go’ (deixar ser, deixar estar) e sua vida acaba ficando mais fácil. Esta é a grande lição que tirei, e apliquei nos últimos meses da minha vida, que não foram fáceis como você bem sabe. Não se pode apegar demais aos planos e não se pode vencer sempre.
Por falar em controle, você comentou que sua cena preferida da Parte 1 de Amanhecer era o parto de Renesmee, porque era o único momento em que você não podia fazer nada, além de apoiar Bella.
Exatamente. Um bom exemplo de como aprender a não controlar tudo é filmar com um bebê. Não se pode controlar muito. É preciso ir de acordo com a vontade do bebê. E o mesmo vale para Ed. Quando ele só tinha a Bella, queria ter certeza de que tudo estava sempre bem. Quando o bebê nasce, entende que às vezes devemos agir por instinto e confiar. E isso é libertador.
E não é exatamente sobre isso a Saga inteira? Sobre crescer e ter algo e alguém por quem lutar? Você lutou por Bella o tempo todo. E passa a lutar por sua filha.
Sim. Agora há uma família. Mas é engraçado que a batalha final é a única luta que Edward ganha em toda a série. É ridículo porque ele está sempre perdendo e a Bella o está sempre salvando.Pelo menos uma vez ele vence!
Como foi contracenar com um bebê e uma criança?
Foi divertido. O clima muda no set. A gente trabalhava por tantas horas. E quanto havia um bebê, todos ficavam de bom humor. Uma criança muda tudo. Fora que trabalha-se menos horas porque o bebê não pode trabalhar tanto. Devia sempre haver um bebê nos sets.
E a cena de batalha de Amanhecer – Parte 2, que é diferente do filme? Aprova?
Adoro. Li o roteiro antes de ler o livro. E pensei: Que? Este final não é como nos outros livros! Vai ser incrível! Todo mundo morre e só sobra a Bella no final! E fiquei desapontado quando descobri que era tudo um sonho. Mas acho que é uma solução boa para a ação do filme.
A propósito, desta vez há finalmente a primeira cena de sexo em que vocês dois são vampiros e ‘iguais’. Como foi filmá-la?
Ainda não vi o filme e espero que tenha ficado boa. Filmamos as duas cenas de sexo (a primeira deles, logo depois do casamento e esta, depois de Bella ter se tornado vampira) na mesma semana, com dois dias de diferença. A primeira tinha de ser gentil, sutil… E a segunda, só dois dias depois, tinha que ser ‘amos entre vampiros, a coisa mais incrível do mundo!”, totalmente diferente. E ainda éramos as duas mesmas pessoas. Até o Condon estava sem jeito de nos dizer como deveríamos fazer. No set, o quarto da cena da lua de mel no Brasil era do lado do quarto do ‘amor vampiro’ . Espero que tenhamos feito direitinho. Ficou boa?
Ficou. Há muitos closes, mas não ‘mostra nada’.
Ah… Você sabe… Censura 13 anos.
Como você pensa que os fãs vão se sentir com o fim da Saga? Satisfeitos? Você faria outro filme daqui a alguns anos?
Espero que fiquem felizes. Acho que é um fim bastante sólido. Lembro que quando o último livro saiu houve muita controvérsia. Agora os fãs já estão acostumados. E voltaria sim ao set. Fico curioso para saber o que Stephenie (Meyer, autora da Saga) fará em seguida.
Qual sua melhor memória destes anos?
Acho que tudo no primeiro filme. Tudo era estranho e novo. Todos tinham mais ou menos a mesma idade, estavam no mesmo estágio da carreira. E havia o sentimento de que ‘isso pode se tornar algo grande’. Ninguém sabia, mas havia esta excitação em fazer um primeiro filme não convencional e muito bom. Conhecer todos, criar os laços… Foi muito especial e significou meus 20 anos.
E qual a pior coisa?
Definitivamente as lentes de contato. Eram horríveis. Todo mundo reclamava! Chegava a atrapalhar nossas performances.
O que você acha que faz com a a Saga tenha se tornado este fenômeno?
Sinceramente não sei dizer. A Saga tem o poder de fazer com que os mais velhos se sintam jovens de novo. Mas muita gente, por exemplo, não admite que gosta. Diz que é um ‘guilty pleasure’. Você não precisa se sentir culpado. Só goste! Mas sabe que os muito jovens não me assediam tanto? Em geral têm mais de 17. Ou são as mães que levam os muito jovens para disfarças que são elas que gostam.
Você acha que é um fardo ser tão famoso, ter sua vida pessoal investigada e exposta como foi recentemente?
Não é um fardo. Mas vejo como uma completa desassociação. Acabei caindo nesta situação. Nunca esperei que Crepúsculo fosse se tornar tão grande. Eu, Kristen e Taylor nos tornamos particularmente muito famosos. Chega a ser estranho porque temos um efeito muito único nas pessoas. Tem gente que tem travesseiros da saga, mas que nunca viram um filme.  Simplesmente tento viver bem com isso.  Mas digo sempre que tenho uma espécie de desordem mental. Não importa quantas coisas boas que as pessoas falem, eu sempre me fixo nas ruins.
Quais seus próximos planos?
Não sei ainda exatamente o que fazer em seguida. Toco piano com meus amigos… E quero fazer coisas perigosas com gente interessante. Nos últimos anos, a parte de business tem ocupado muito espaço no show business. Então, tento encontrar projetos interessantes e que valham a pena pessoal e artisticamente. Que me façam sentir não só consumidor mas também agente. Estou me preparando para rodar em janeiro um novo filme em que meu personagem tem problemas mentais. Isso sim é desafiador. E em seguida vou rodar Mission: Blacklist, no Iraque.
Você acha que as pessoas gostam de filmes de fantasia por conta dos tempos violentos que vivemos?
Sim. Violentos e chatos. Acho que as pessoas estão entediadas. Quando vejo as crianças que não saem da frente da TV, em vez de brincar, penso que devem estar muito entediadas. Eu nunca vi TV na infância. Eu brinquei muito.

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