Não é do Brasil! Lewis Hamilton da Inglaterra! Ou ‘Que saudade do Galvão!”
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Não é do Brasil! Lewis Hamilton da Inglaterra! Ou ‘Que saudade do Galvão!”

Flavia Guerra

03 de novembro de 2008 | 23h03

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Steve ‘Galvão’ Rider com Hamilton: É…..É da Inglaterra!
confira: http://www.itv-f1.com/VideoExclusives.aspx

Londres

“Você merece! Nós merecemos! O país precisava desta injeção de ânimo! Este título é para todos nós, para nosso povo, para provar que ainda somos capazes! Porque estamos passando por um momento tão difícil, sempre nadamos, nadamos e morremos na praia! Que felicidade você nos deu hoje!”

Este podia ser o discurso do Galvão Bueno após a vitória de Felipe Massa no último domingo quando, em pleno Intergalos, o ‘nosso’ menino do Brasil poderia ter sido campeão da temporada 2008 de F1 e ter tirado os torcedores brasileiros da ‘vontade’ que os mata há tempos.

Mas não. Este era o discurso do ‘Galvão Bueno para inglês ver’. Steve Rider é o nome dele. “Broadcaster” (ou o bom e velho ‘narrador”) de longa data, Rider (um sobrenome ‘nascido para o ofício’) não se contenta em só narrar as corridas para a inglesa ITV. Vai literalmente para a pista (e o pit) mostar o quão grande é seu acesso e o quão sortudo era ele por ter o privilégio de ser o primeiro jornalista/apresentador a falar com o mais novo campeão do mundo na noite (tarde no Brasil) de domingo. Lewis Hamilton da Inglaterra!

Era do garoto de Briton, e dos britânicos, o título desta temporada. A Londres, que veste azul dos Blues (o Chelsea) nos fins-de-semana, mas a mesma Londres onde os alunos das universidade batem ‘um rugby’ no campinho em vez de bater uma pelada. A Londres que está mais empolgada com as novas linhas de metrô e a valorização imobiliária que o East London vai ganhar com a chegada das Olimpíadas em 2012 do que com as medalhas que o país abocanhou em Beijing. Esta mesma Londres ‘redescobriu’ que a Brittania ainda é a terra de nomes como Jack Stewart, Damon (ainda que apagado) Hill, Nigel Mansell, McLaren, a extinta Jaguar, Williams…

O que é pior que ver o Brasil perder uma Copa do Mundo de futebol para a França em um bar da esquina de Paris? Nada. Mas ver a ‘pátria de pneus slik’ perder para o inglesinho Hamilton e ouvir brincadeirinhas mais que espirituosas dos ‘companheiros de bar’ não fica muito atrás no pódio dos ‘grandes momentos de desgosto do esporte’.

“Que mané brasileiro! Este título é nosso. E nós merecemos! A gente sempre amarela no final, inglês perde tudo que disputa. Até as ações da Bolsa a gente tá perdendo agora!”, ironizava o inglês de Bristol para a torcedora canarinho, com uma pitada de vermelho Ferrari no sangue.

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No site da ITV, a legenda diz: “Massa deu tudo no Brasil, mas mesmo assim perdeu o título”

“Well, Massa did well. Maybe next year” (Massa mandou bem. Mas quem sabe no ano que vem), ironizava o operador da bolsa e da mesa ao lado.

O advogado, que gosta mesmo é de jogar poker e foi ao pub com os amigos só para não ficar sozinho em casa, confessou: “Eu achava que o Massa era espanhol. E este tal de Hamilton? Com esta cara, tinha pinta era de brasileiro.”

Diante de um domingo de típico ‘cinza inglês no ar’, Ron Dennis, o mitológico Chairman & CEO da McLaren, diretamente de Interlagos para a ITV, resumiu: “Estamos tão acostumados com esta chuvinha em Londres. Ela tinha de estar aqui em São Paulo nos trazendo sorte hoje!”

Na mesma terra em que Senna era mestre nas pistas molhadas, desta vez São Pedro deu aos paulistanos um típico presente-de-grego. Chuva de primavera para inglês correr.

De volta à ‘terra do fog’, onde o outono tem sido particularmente rigoroso (Há uma semana, nevou pela primeira vez em 74 anos em outubro), duas rodadas de pints (a dose de cerveja britânica) e centenas de voltas depois, o publicitário brasileiro resumiu bem a melancolia para ‘brasileiro sentir’ no domingo chuvoso: Que saudades do Galvão!

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