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Na rua, na chuva, na guerra

Flavia Guerra

15 de março de 2011 | 21h28

Polcenigo – Friuli/Itália

Piove… Chove…. Choveu muito durante toda a terça-feira no nordeste da Itália. A pequena Polcenigo amanheceu debaixo de uma chuva de fazer gosto ao mais preparado dos paulistanos em janeiro. E perdurou por toda o dia. E ensopou a equipe de A Montanha, que rodaria (e rodou) hoje a última cena do filme, exatamente a cena em que os ‘americani’ chegam para ‘salvar o mundo do nazi-fascismo’.

Centenas de figurantes, tanques de guerra (de fato), caminhões, ‘veri americani’ (ou quase. ‘garimpados’ na região pela produção do filme, que até mesmo angolanos escalou para a ação), uma pequena cidade mobilizada para festejar o fim da guerra e chuva, muita chuva.

É fato que a chuva dá dramaticidade a qualquer cena, mas também é fato que pode tornar a realidade um drama. Como dirigir, e manter dispostos, centenas de profissionais debaixo de uma chuva torrencial? Como ‘traduzir’ visualmente que o final da guerra, sempre ensolarado nos filmes americanos’ (afinal, dia de fim de guerra é dia de sol!)? Como não botar equipamentos (principalmente a câmera) a perder? Como acertar a continuidade da chuva? Sim, porque a chuva muda de intensidade. E no cinema, tudo tem de parecer ‘contínuo’, ainda que poucas artes sejam mais descontínuas em sua ‘construção da filmagem’. Como acertar a mesma luz sempre? Como?

No começo do dia, não só o diretor Vicente Ferraz, mas toda a trupe estava preocupada. Mas, como ele bem disse, a natureza é personagem desta jornada dos pracinhas. E se fez presente mais uma vez.

Na rua, na chuva, na guerra, na Montanha, o show não pode parar. E a guerra terminou assim. Debaixo de chuva. Lavando a alma de todos.

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