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Moonrise Kingdom, o cinema de fantasia de Wes Anderson abre o Festival de Cannes 2012

Flavia Guerra

16 de maio de 2012 | 12h16

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Trupe de Moonrise Kingdom chega para abrir os trabalhos em Cannes 2012

Flavia Guerra/Cannes

m filme sobre o primeiro amor. Assim começou oficialmente o 65o Festival de Cinema de Cannes. Pelo menos, para a imprensa, que lotou a sala Debussy na manha desta quarta para assistir ao mais novo longa-metragem de Wes Anderson (Os Excentricos Tenenbaums e A Vida Marinha com Steve Zissou): Moonrise Kingdom. A sessão de gala, somente para convidados, ocorre também hoje, às 14horas do Brasil. A julgar pela recepção da imprensa internacional, o filme tem tudo para ser uma forma bem sucedida de abrir o festival com algo “cheio de frescor” e com um olhar jovem, quase infantil (na melhor acepção do termo), sobre o cinema.

Pelo menos foi assim que Moonrise Kingdom foi recebido. E é assim que Anderson também quer que o público perceba a historia de dois jovens de 12 anos que se apaixonam perdidamente: Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward).  Ela vive em uma remota ilha em New England com o pai (o sempre esdrúxulo Bill Murray), a mãe (Francis McDormand) e os três irmãos. Ele e’ um escoteiro em missão na mesma ilha em que esteve um ano antes, quando, justamente, se apaixona por Suzy e com quem começa a se corresponder. Para desgosto dos pais, do líder dos escoteiros, vivido por Edward Norton, e do xerife local (um surpreendente Bruce Willis), os dois fazem um pacto de fugir e viver  ‘na natureza selvagem’.

Claro que são encontrados, claro que fogem novamente. Enquanto isso, uma tormenta vai causar reviravoltas não só’ na ilha quanto na pacata vida de seus moradores.

Além do estilo particular de Anderson filmar, o ponto forte do filme ‘e inegavelmente a forca das crianças. Estreantes, Gilman e Kara foram descobertos nos testes com elenco e conquistaram de cara o diretor. ‘Sua personalidade foi o que me seduziu…Ele e’ único em sua forma de ser. E Kara… Ela praticamente inventou vários diálogos…’, comentou o director em conversa com a imprensa logo apos a sessão. Anderson, aliás, contou também que recorreu às suas memórias de infância para escrever, com Roman Coppola, o roteiro. Não e’ um filme sobre crianças descobrindo sua sexualidade. Apesar de não ter medo de ser julgado por isso, posso falar que ‘e sobre as crianças descobrindo algo que é maior que eles… Foi por isso que fiz este filme.”

Este ‘algo maior’ ‘e o amor, ou, pelo menos, a primeira paixão. Mas poderia ser também o eterno olhar infantil, que não aceita convenções somente porque assim são as coisas. E e’ exatamente este frescor, e esta forma infantil de ver o mundo, que torna a filmografia de Anderson única. Sem contar o elenco, que mescla velhos colaboradores (como Murray) com nomes improváveis (como Bruce Willis). “Fiquei muito feliz com o frescor da forma como Wes dirige. Em geral, nos grandes filmes, ninguém ensaia… Não há este clima de família que houve no set de Moonrise… Sem contar que adoro meu personagem. E adoro a premissa do filme. Acho que todo mundo devia ser amado… Ate’ mesmo os policiais”, declarou Willis.

Anderson concordou e acrescentou: “Há gente neste projeto com quem tenho trabalhado há tanto tempo. É como reunir a família começar a fiar cada novo filme. Cada um é como uma companhia de teatro. E o filme também ‘e sobre isso.”

A diva Tilda Swinton, que tem um papel no mínimo estranho, também concorda: “É de fato uma família. Filmar Moonrise Kingdom foi como ser convidada para um casamento. Sem contar que ‘e linda a relação das crianças com o mundo. Nesta história, os adultos são os que nos desapontam e as crianças têm o graal.”

Para Murray, o filme foi uma aventura. “Já trabalhei com tantos diretores. Mas esta equipe foi especial. E ficava cada vez melhor à medida em que filmávamos. Pense em Bruce, por exemplo. Ele é uma estrela. Tê-lo no filme foi incrível. Ele teve até mesmo seu momento Duro de Matar.”

Murray, a propósito, comentou a importância das parcerias com grandes diretores em sua carreira. “Trabalhar com um diretor mais de uma vez é raro. As vezes você ate espera que não o veja de novo.. Mas com Anderson ‘e diferente. A gente sabe que ele não esta rezando para que a gente corra para o aeroporto quando as filmagens acabam. Alguns diretores até levam a gente para o aeroporto. Wes nunca me levou. E ‘e ótimo ir pro trabalho e saber que você vai trabalhar duro, mas que esta’ em um projeto que acredita. E sem contar que, em filmes de arte.. A gente trabalha muito e não ganha… Neste caso, a gente ganha a viagem para Cannes. E a gente ganha dinheiro em outros filmes para poder trabalhar de novo com o Wes.”

Edward Norton, que nunca havia filmado com Anderson, disse que filmou como se estivesse em um acampamento de verão. “Foi uma delícia. Foi como filmar tudo que a gente ama quando é criança…”

De fato Anderson dà um passo adiante em sua filmografia com Moonrise Kingdom. A estética vintage que tanto o caracteriza se mantém. E aqui cabe ressaltar a bela direção de fotografia de Robert Yeoman, que rodou o filme em película 16mm. Anderson, alias, ‘e um dos defensores do formato que começa a se tornar obsoleto. ‘Daqui um tempo a gente só vai precisar escrever: Formato? HD’, disse o diretor.

A narrativa, sempre tão calcada em capítulos em filmes anteriores, surge mais fluida e lírica, quase como em um dos tantos livros que a personagem de Suzy carrega. ‘Queria que o filme tivesse o clima de fantasia dos livros infantis, juvenis… Realmente queria que o poder destes livros existisse no longa. E queria fazer o público sentir como quando você se apaixonada pela primeira vez.’

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