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Marcio Garcia finaliza filme com Andy Garcia e Camilla Belle

Flavia Guerra

24 de dezembro de 2012 | 17h09

Ao dirigir o segundo longa e prestes a estrear como  diretor na TV,

ele ainda se diz um aprendiz

 

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Flavia Guerra / RIO
Em 2009, quando lançava seu primeiro filme, o curta Predileção, Marcio Garcia ouviu de um jornalista: “Você é ator, apresentador e agora quer ser diretor?” A indagação soou estranha ao cineasta estreante. “Estou aprendendo, é fato, mas não gosto que tenham preconceito. Há vários outros atores que também se tornam diretores”, respondeu Garcia com sua fala franca de sempre.
O últimos três anos, entre outros projetos, Garcia passou aprendendo a ser diretor. Comandou seu primeiro longa, Amor Por Acaso (com Juliana Paes e Dean Cain), rodou e finaliza o segundo, Angie (com Camilla Belle e Andy Garcia), previsto para fevereiro, e se prepara para estrear como diretor de TV em janeiro, quando começa a rodar a série de ação A Teia, para a Globo.
Nada mal para quem já foi definido por Oprah Winfrey como o ‘Brad Pitt brasileiro’, em 2009, em um quadro do programa sobre a família brasileira. “Não faço ideia de onde tiraram isso. Entrevistaram até a Andréa (Santa Rosa, mulher do ator, com quem ele tem três filhos). Nem parecidos somos. A única semelhança que vejo é que Brad também não é só um ator bonito. É produtor, investe no cinema. Busca coisas novas. Ser galã não faz minha cabeça”, comentou o ator em conversa com o Estado em sua casa no Rio. Local que, além de cinco cachorros e uma casa na árvore para as crianças, abriga no quintal sua produtora, a MGP (Marcio Garcia Produções). “A MGP começou por acaso, quando precisávamos finalizar Predileção, curta com muitos efeitos especiais. Disso surgiram outros trabalhos. E não paramos mais.”

 

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Camilla Belle (Angie) e Colin Egglesfiedl (David) em cena do novo longa

Em meio a tantos projetos, Marcio confessa que “sofre de processo criativo compulsivo”. “As ideias vêm. É algo que capto no ar, quase como uma antena. Tenho a inspiração para um argumento. Fico com medo de perder e anoto na hora. No set do Angie, às vezes tinha uma ideia maluca. Contava para o Uri (Singer, produtor). Depois percebia que era loucura”, brinca ele, que pode afirmar sem medo que a maioria de suas ideias funciona.
Tanto que seu jeito tranquilo de lidar com os desafios o ajudou a conquistar a equipe de Angie. “Tinha ouvido falar um pouco sobre ele. Mas, assim que o conheci melhor, me dei conta de que ele realmente sabia o que estava fazendo. E a melhor coisa é que Marcio é calmo no set. Quando fazíamos leituras de roteiro, preocupados em entender o que ia filmar, o que ia funcionar, ele dizia: ‘Não se preocupem. Vai dar tudo certo’”, comenta o ator Colin Egglesfield, que vive David, policial que se apaixona pela garota que encontra na estrada, vivida pela mezzo brasileira Camilla Belle, a Angie. “E tudo funcionou mesmo. Ter alguém assim, muito confiante no que está fazendo, dirigindo cem pessoas, é muito importante.”
Angie conta a história de uma jovem pintora brasileira que viaja para os EUA em busca do pai que abandonou a família. Neste road movie, troca de emprego e cidade com (quase) a mesma frequência com que troca de roupa. Em sua jornada, encara o desafio de amadurecer, criar raízes até conhecer figuras como Chuck (Andy Garcia).
O veterano ator, aliás, precisou só de alguns dias de conversa por Skype para se convencer que também podia confiar em Marcio. “Há o roteiro que está escrito e o que a gente tem chance de trabalhar na prática. Eu, Camilla e o Marcio trabalhamos juntos nas cenas, fizemos alguns acréscimos, demos ideias”, declara. “É muito fácil gostar dele. Tem uma grande sensibilidade. Grande humildade. Gosto muito dele. E gosto de trabalhar com jovens talentos. Foi um grande desafio e a oportunidade de explorar algo que ainda não tinha feito como ator.”

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Andy Garcia aceitou o papel de Chuck após alguns dias de conversa por skype

Foi também um grande desafio para Marcio dirigir esta trupe, que conta ainda com Juliette Lewis, Carol Castro, Christiane Torloni, entre outros. Não só pelo trabalho com o elenco, mas principalmente pelo pouquíssimo tempo para as filmagens. “Tivemos apenas 21 dias. Uma loucura! Fizemos em um ritmo superconcentrado. Por isso, as leituras de roteiro, estudos de locação foram tão importantes. Faço meu dever de casa para que, na hora de rodar, o tempo seja bem usado”, comenta o diretor, que chegou a realizar várias tomadas únicas. “Às vezes a equipe, quase toda formada por gringos, olhava tipo: ‘Tem certeza de que não quer repetir a cena?’ Mas tinha de confiar na qualidade e partir para a próxima.”
Tal otimismo, Marcio leva a todos os trabalhos que realiza. A ponto de até lidar bem com a saudade de atuar para poder aproveitar ao máximo a experiência na direção. “Não sou de ficar sofrendo. Sempre penso que o melhor trabalho é o que estou fazendo agora”, diz ele, que está fora das novelas desde Caminho das Índias (2009), em que seu personagem, o intocável Bahuan, teve um destino nada feliz. “Tenho saudade de fazer novela. Mas o mais difícil é encontrar personagens que a gente gosta e que nos façam felizes. Novela independe do ator”, declara ele, que também esteve no seriado Na Forma da Lei (2010).
“Comecei Celebridade com um personagem pequeno e cresci. Mas, se estivesse começando minha carreira em Caminho das Índias, iria terminar ali. Eu não teria o que mostrar a mais do meu trabalho. Novela é estar no lugar certo, na hora certa. Hoje penso bem antes de aceitar um papel. Quando não funciona, a cobrança vem de casa. É algo que até a família acompanha. Quem entra nessa tem de estar ciente disso e não pode levar a frustração para a vida pessoal”, acrescenta Garcia, que recusou um convite para fazer Guerra dos Sexos, pois as datas coincidiam com as filmagens de A Teia.
Apesar de concentrar as energias no cinema, Marcio garante que volta em breve para a frente das câmeras. “Já há algumas possibilidades. Nada certo, ainda, mas vai rolar.”
Como já é tradição, ele também não descarta sua volta como apresentador. “Não há previsão, mas uma hora vai acontecer”, declara o ator carioca, que começou como modelo, foi para a TV em 1992 como apresentador do MTV Sports, passou pela Globo no Gente Inocente (1999), conquistou o País com O Melhor do Brasil, da Record (2005/2008), e voltou para a Globo em 2008. “Adoro apresentar. Aprendo e me divirto. É preciso gostar, saber lidar com as pessoas, estar tranquilo e deixar o público confortável.”
Enquanto a volta para a frente das câmeras não chega, ele se concentra nos bastidores. “Gostei do outro lado. Quando se vive muito da imagem, a gente vira meio modelo. Fui me testar em outra função”, conta. “Sempre fui curioso. Nunca planejei dirigir, mas queria entender como funciona o set, iluminação, câmeras, linguagem, processo. E ser ator me ajuda a dirigir o elenco. Sem contar que trabalhei com muitos diretores e aprendi demais. Ainda tenho muito que aprender, mas estou feliz.”

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