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Júri de Cannes 2012: “Queremos ser surpreendidos.”

Flavia Guerra

16 de maio de 2012 | 13h22

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                                                                          Comissão, presidida por Nanni Moretti, que, entre outros, conta com Ewan McGregor, Jean Paul Gaultier, diz ter a mente aberta e nenhum preconceito

 

Flavia Guerra / Cannes

 

“De fato não entendo esta novidade de dar entrevista antes das Palmas. Já fui júri antes, há 15 anos, e a gente tinha que ficar quieto, mesmo depois da premiação. Daqui 15 dias provavelmente diremos coisas muito banais e diplomáticas. Talvez não. Veremos.”  Assim Nanni Moretti,  presidente do júri do 65 Festival de Cinema de Cannes, que começou há pouco, resumiu o clima da coletiva de imprensa do colegiado formado pelo ator Ewan McGregor (A Toda Prova), a atriz Diane Kruger (Bastardos Inglórios) e o diretor americano Alexander Payne, que concorreu à Palma de Ouro, em 2003, por As Confissões de Schmidit, a diretora palestina Hiam Abbas; a roteirista Andrea Arnold, premiada pelo júri de Cannes em 2006 e em 2009, por Red Road e Fish Tank, respectivamente; o cineasta haitiano Raoul Peck; a atriz francesa Emmanuelle Devos; e o estilista francês Jean Paul Gaultier.

Se a lista é heterogênea, a postura de cada um dos jurados em relação ao esperado nos 14 dias de festival  foi unânime. Todos esperam ver filmes que os surpreendam. “O que faz de um filme bom, para mim, não é uma questão estética, mas a emoção. Isso faz de um filme uma obra-prima”, declarou o estilista Jean Paul Gaultier, cuja escolha para integrar o grupo causou polêmica entre alguns puristas. Sobre o que ele pode trazer para um festival de cinema, sendo uma personalidade do mundo fashion, o estilista respondeu: “O que eu amo ver. Todos somos críticos quando vamos ao cinema… Espero aprender muito. Isso sim. Nos informamos muito pouco, ou quase nada, sobre os concorrentes deste ano. Queremos ser surpreendidos, como o espectador comum. “

Já McGregor foi questionado a importância de uma Palma e em relação a um Oscar: “Não quero comparar, porque é um jogo diferente. Mas Cannes é a plataforma para que filmes que talvez nunca tivessem chance possam ser vistos.” Payne foi além e comentou o fato de se estabelecer uma competição entre filmes. “É engraçado. De um lado podemos dizer que é ridículo dizer que há um filme melhor que o outro. Mas, mais que os prêmios, o importante é a seleção destes filmes.”

Moretti, famoso por sua postura crítica e, ao mesmo tempo, bem humorada, não deixou por menos: “Parole, parole, parole… (Palavras, palavras, palavras. Tudo que dissemos aqui hoje é ótimo. Mas depois vão vir 22 filmes e as sensibilidades diferentes que se confrontarão. O belo é que todos aqui têm a mente aberta, não tem predileções e nem preconceitos. E querem filmes que nos surpreendam.”

Sobre sua soberania no júri, também fez questão de ironizar: “Felizmente espero ser muito democrático. Sou como o chefe da classe. Espero ser mais um dos oito membros. E que nos vejamos muito. Por sorte os meus poderes de presidente, neste caso, são limitados.”

Aproveitando a recente polemica sobre a baixa presença de filmes dirigidos por mulheres na competição oficial deste ano, a inglesa Andrea Arnold declarou que, a seu ver, não deveria haver nem mesmo a tradicional ‘mulheres primeiro’ no momento de se apresentar o júri ou uma equipe de um filme durante o festival. “Deveria ser tudo sempre em ordem alfabética. Odiaria que meus filmes fossem vistos porque sou mulher. Quero que sejam vistos pelos motivos certos. Ano passado houve três filmes dirigidos por mulheres, por exemplo.”

Para encerrar, quando questionado sobre o que torna Cannes um festival tao especial e diferente dos outros grandes eventos de cinema, Moretti foi elegante: “Por trás deste festival há a importância que a França sempre deu ao cinema.”

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