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‘Io e Te’. Novo Bertolucci filma a jornada de dois irmãos noites e noites adentro

Flavia Guerra

22 de maio de 2012 | 18h16

Diretor continua sua busca pelas questões juvenis em seu mais novo filme, exibido em sessão especial
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‘Io e Te’. Eu e você. O mais novo filme de Bernardo Bertolucci novamente volta seu olhar para os jovens. Desde Os Sonhadores, quando retratou três adolescentes em pleno maio de 64 em Paris, o mestre italiano não filmava. Nestes anos, sofreu um acidente, viu-se diante de uma nova realidade, a de ver o mundo de outra perspectiva, e chegou a pensar que nunca mais filmaria. Mas descobriu que era possível encontrar novas formas de viver e de filmar. E descobriu também o bestseller Io e Te, de Nicolò Ammaniti. E nasceu a ideia de Io e Te, o filme, que narra a história de um garoto de 14 anos que, em vez de embarcar na excursão da escola para uma semana de esqui, decide passar estes dias enclausurado no porão do prédio onde mora em Roma.
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Tímido, anti-social, mas também sensível, meticuloso e  perspicaz, Lorenzo (o ótimo Jacopo Olmo Antinori) tem dificuldade de se comunicar com os pais, com os amigos e com o mundo. E cria um mundo particular onde pode ouvir música, assistir a filmes no computador, ler e se sentir à vontade. Sua semana de sonhos está pronta para começar quando, de repente, chega uma visita inusitada: a meia irmã Olivia (Tea Falco).

Ela vive no sul da Itália com a mãe. Fotógrafa precoce, ela ganhou diversos prêmios e tinha uma carreira pela frente, até que a heroína aparece.

Decidida a se livrar do vicio, ela acaba pedindo abrigo no refúgio de cumplicidade entre dois até então quase desconhecidos.

Para Bertolucci, esta é uma história de perdas, desapontamentos, saudade, falta, esforço e sonhos de dois jovens. “Acho que a maioria dos meus filmes fala do universo jovem, de seus medos, suas vontades, seus desafios. Talvez seja porque me interessa muito a energia que o jovem tem, que tem muitas vezes de aprender a usar para aprender a viver em um mundo que não compreende”, declara o diretor.

Bem construída, meticulosamente pensada para retratar a claustrofobia que se torna claustrofilia, a narrativa de Io e Te traz um típico Bertolucci, sempre interessado em contruir uma cenografia que funciona quase como uma extensão da psique de seus personagens, sobretudo quando, como em Os Sonhadores, o universo em que se passa a ação é diminuto e delimitado. Em Io e Te, o diretor acerta ao construir um mundo e o mundo de Lorenzo e Olivia.

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