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HALLE BERRY – FORÇA E SENSIBILIDADE

Flavia Guerra

12 de abril de 2013 | 20h53

Halle Berry vem ao Brasil lançar seu novo filme e diz que há chances de estrelar

um remake de Orfeu Negro

 

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No novo filme, atriz interpreta uma atendente do serviço de emergência da polícia e tem de lutar

para salvar uma vítima de um serial killer

Flavia Guerra / RIO
Uma semana antes de começar as filmagens do novo X-Men, Halle Berry fez sua primeira visita ao Brasil, onde, entre uma entrevista e outra, parte da campanha de lançamento de seu novo filme, o thriller de ação Chamada de Emergência, que estreia hoje, a atriz visitou pontos turísticos no Rio e pediu: “Adoraria filmar no Brasil. Quem tiver um bom roteiro, me mande”.
Em conversa com o Estado na tarde de quarta, ela também contou que há um filme brasileiro que adora e que está na lista de seus possíveis próximos filmes: Orfeu Negro. “É um filme lindo. Adoraria poder fazer o remake”, disse ela sobre o clássico de 1959 dirigido por Marcel Camus e baseado na peça Orfeu da Conceição de Vinicius de Moraes. “Algumas produtoras entraram em contato para falar do projeto. Espero que dê certo”, afirma a atriz que, aos 46 anos, está grávida de três meses de seu segundo filho, fruto do relacionamento com o ator francês Olivier Martinez, de 47 anos.
Você comentou que, caso precisasse trabalhar no 911, não seria uma boa profissional. Por quê?
Sou muito emotiva. Durante a preparação para o papel, fiz o treinamento e passei muito tempo com as mulheres que fazem este trabalho. Passei pelo teste de perfil psicológico e, claro, fui reprovada. Lido com as questões de forma muito emocional e me envolvo. Sou muito sensível. Este nunca seria um trabalho que eu escolheria. Mas aprendi muito. Há homens que são atendentes também, mas a maioria é mulher.
Por que há mais mulheres?Porque nós mulheres somos mais multitarefa. E para fazer bem este trabalho é preciso estar atenta, falar com a vítima, com a polícia, digitar na tela as informações, falar com outras pessoas do call center. É preciso estar constantemente pensando no ‘próximo movimento’ e, ao mesmo tempo, focar no que está no presente. Mulheres, que são mães, organizam a família, trabalham e fazem de tudo, são melhores neste trabalho.

Você ouviu centenas de gravações de casos reais. Há alguma em particular da qual se lembre?
Há uma que me marcou profundamente. É a de uma mulher que ligou para o 911 quando estava prestes a ser violentada. Conseguiu ligar e disse: “Vou ser estuprada.” Tentava dizer onde ela estava quando a ligação ficou abafada. Porque colocou o celular na bolsa. E é possível ouvir o estupro enquanto o telefone ainda está ligado e a operadora está na linha. Assim como no filme, ela estava tentando localizar o celular. Eles conseguiram encontrá-la 15 minutos após o telefonema e ela estava sendo estuprada. É possível ouvir a polícia arrombando a porta, entrando, tudo. Foi horripilante. Sendo mulher, um dos meus maiores medos é o de ser estuprada. Foi muito difícil ouvir. Nunca vou esquecer o som dos gritos daquela mulher, implorando por sua vida, para não ser machucada.
Este, ainda que seja um filme de ação, é muito feminino. Há algo que você trouxe para a produção que seja muito pessoal?
É um filme sobre emoção. E a relação da Jordan e da Casey é verossímil. Por isso a plateia se conecta a elas e acredita no seu drama. Tanto homens quanto mulheres. Mas, como eu e a Abigail somos mulheres, foi mais fácil de criar este elo entre nós. Além do equilíbrio entre força e sensibilidade, que acredito ter e sempre trazer para meus filmes, o corte de cabelo dela foi sugestão minha. Sempre vejo o cabelo como algo que define muito minhas personagens.
Jordan, ao ajudar Casey a se livrar de seu algoz, está também salvando a si mesma.
Sim. Ela, que tem um trauma causado por um caso do passado, em que a vítima perdeu a vida, está também se redimindo. Esta é a razão que a faz romper com o protocolo, deixar o call center e ir para a rua em busca de Casey. Quando as operadoras reais liam o roteiro e descobriam esta parte da história, sempre me diziam que jamais deixariam seus postos para ir a campo, mas entendiam o porquê de Jordan fazer isso, pois compreendiam quanto este caso era importante para elas. Diziam: “Se eu me importasse tanto assim com uma vítima, eu também deixaria”.
Este é o ponto do filme em que se estabelece o contrato de ‘suspensão temporária da verdade’ entre público e filme para que se vá avante.
Exato. É o ponto em que se diz: “Ok, estou vendo um filme. Esqueça a realidade, quero saber da história”.
Você comentou sobre seu lado emotivo, sobre quanto se envolve com o trabalho. Como é para você interpretar mulheres tão variadas. São figuras fortes e, ao mesmo tempo, frágeis. Desde em A Última Ceia até Tempestade em X-Men.

Você pensa no papel destas personagens ou só olha para um bom roteiro?

Penso. Entendo muito bem quem eu sou como atriz e acho que, não importa o que eu fizer, vou sempre trazer para o papel esta parte vulnerável de mim mesma. É algo que carrego comigo. Mesmo quando eu tento não trazer isso, acaba vindo à tona. É útil também para minha vida. Sendo mãe, ter esta noção da fragilidade me ajuda muito.

Você vai ser mãe novamente e vai filmar o novo X-Men grávida. Vai ter algum cuidado especial para as de ação?
Infelizmente não vou fazê-las. Há cenas incríveis de luta que eu estava louca para fazer, porque adoro. A Tempestade vai continuar, mas meu papel vai mudar um pouco. Tenho uma ótima razão para não me aventurar tanto desta vez, mas garanto que o filme vai ser incrível. E desta vez vai ter muitos X-Men, do passado, do futuro…

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