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Existe amor em São Paulo? Ou de como se faz cinema no Capão.

Flavia Guerra

17 Abril 2011 | 16h46

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Bróder na fita do Capão. E em breve em um cinema perto de você

    Vê lá. Xico Sá, cabra amigo e cronista da vida paulistana como poucos, postou: “Falta amor na Babilônia’?

    Não existe amor em SP profetizou Criolo Doido: “amor”

    Discordo. E digo: De São Paulo é o túmulo do samba, o amor é primo da morte. E da morte vencedor
    Assim disse um certo Drummond.

    Assim me provou por A+B, como dois e dois são cinco, a comunidade do Capão Redondo hoje de manhã. Em domingo de Virada Cultural, houve quem virasse a madrugada de sábado e fosse direto de um show na São João para o Multiplex Campo Limpo assistir à pré-estreia de Bróder, primeiro longa-metragem de Jefferson De, com Caio Blat (o branco mais preto do cinema brasileiro), Jonathan Haagensen e Silvio Guindane.

    Os que nunca deram um rolê pelo fundão e se limitam a viajar pela São Paulo do Centro Expandido que me perdoem, mas suas rotas e visões precisam ser ampliadas. As salas do multiplex em cinco anos nunca tinham visto nenhum evento ‘bacana’. “Sabe como é… A periferia sempre fica meio abandonada. Aqui vem tudo quanto é tipo de gente, mas posso te garantir que a grande maioria é gente do bem, bacana e interessada. É muito bom abrir o cinema no domingo de manhã e dar de cara com o Caio Blat”, disse o gerente local.

    “Pela primeira vez na vida eu vi e ouvi uma música do Racionais tocar na tela do cinema. Quando eles cantaram Fim de Semana no Parque, chegou a arrepiar”, ‘cantou’ o jovem que trabalha com shows da banda que mudou e mostrou a cara de ‘quem mora do lado de lá da ponte’ e só atravessa a cidade para trabalhar, para passear no parque ou dar uma conferida na Virada Cultural.

    O Capão não é só violência não, mano. Tem de tudo. Tem até gente rica. Tem problema, claro, mas tem muito amor também”, comentou o pai de cinco filhos, que levou a ‘ninhada’ para assistir a história de três amigos do Capão que tinham a mesma origem, mas caminhos muito diferentes a serem seguidos.

    Como bem diz De, esta história poderia se passar em qualquer lugar. “É um filme sobre a amizade. Podia se passar até em Higienópolis.”

    Mas não passa. Neste domingo de Virada, o filme passou no fundão.