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Emoção e alegria na premiação do Festival CineSesc

Flavia Guerra

05 de abril de 2013 | 19h50

 

Este foi o clima da noite de entrega dos troféus aos melhores do Festival Cinesesc

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Vencedores – Pausa para foto histórica

Flavia Guerra

 

“Fico emocionado não só pela premiação – Porque a gente não faz filme para ganhar prêmio, mas sim para ser visto – mas sim porque meu primeiro filme, Amarelo Manga, só existe porque o Carlão (Reinchenbach) existiu no júri que premiou o roteiro do filme.” Assim o diretor pernambucano Claudio Assis, de resumiu o clima de celebração da nova safra de filmes nacionais e da memória do diretor Carlos Reichenbach que tomou conta da noite de premiação do 39.º Festival SescMelhores Filmes, que ocorreu na noite de quarta, no Cinesesc, em São Paulo.
Por A Febre do Rato, Assis e sua equipe levaram os prêmios de melhor filme brasileiro do ano segundo crítica e público, melhor diretor (eleito pelo júri popular), melhor ator ( Irandhir Santos), melhor roteiro (Hilton Lacerda), ambos segundo júri da crítica. “A gente ainda precisa tanto se afirmar. Ganhamos prêmios e prêmios, mas as pessoas não vêem nossos filmes. A distribuição brasileira hoje está capengando. As pessoas não têm acesso. Temos sempre de começar tudo do zero. Isso tem que mudar. O que quero dizer aos jovens, que estão começando agora, que façam o que acreditam. Não façam concessões. Viva o cinema brasileiro da diversidade”, completou Assis.
Já por sua carreira e contribuição ao cinema, Carlos Reichenbach, o Carlão, ganhou homenagem especial. Além de trechos de entrevistas com o diretor serem projetadas na tela do Cinesesc entre um prêmio e outro, Lygia Reichenbach, viúva de Carlão, e a produtora Sara Silveira, parceria de toda a vida de Carlão, receberam das mãos da atriz Beth Faria um troféu em sua homenagem. “Carlão era apaixonado pelo cinema e pelo ser humano. Ele tinha a capacidade da indignação. Tenho certeza que se ele estivesse aqui hoje, ele estaria indignado com a onda de caretice e de falso moralismo que está tentando invadir o Brasil”, comentou Beth antes de receber Lygia e Sara no palco. “Obrigada a todos que participaram e que levantaram este tempo todo do Carlão. Para vocês é Carlão, mas para mim é o meu Carlinhos. Ele me deixou a maior herança possível: meus três filhos maravilhosos e o grande amor que ele nos dedicava”, disse Lygia, arrancando aplausos e lágrimas da plateia.
“Todo mundo sabe o que é Carlão para mim. Mas gosto de brincar que o Carlão está me dando mais trabalho morto do que vivo. Porque são muitas homenagens, muita gente pedindo filmes. É muito bom isso”, brincou Sara. “Me toca o coração ver que a generosidade dele é reconhecida. Ele era alguém especial, que me ensinou tudo. Me ensinou até a ser sensível. Tive a sorte grande de tê-lo a meu lado. Carlão iria estar muito feliz se estivesse aqui hoje. Ele amava o Cludão (Assis) e amava o Edgard (Navarro).”
Navarro, a propósito, levou o prêmio de melhor diretor segundo a crítica por O Homem que não Dormia. Ao destacar a importância do acervo da obra de Carlão para as novas gerações, Sara também destacou a urgência da resolução da atual crise institucional por qual passa a Cinemateca Brasileira. “Tem um bando de meninos que sempre procuram pela obra do Carlão. E eu tinha acertado que uma sala da Cinemateca abrigaria a obra dele e se chamaria Sala Carlos Reinchebach. Tudo andava bem até que desmoronou. E desmoronou de uma maneira que pede atenção. Porque todos os nossos filmes estão lá. Não é possível que as autoridades não vejam isso. É preciso fazer algo.” Os diretores Renato Ciasca e Beto Brant, que receberam o prêmio de melhor atriz em nome de Camila Pitanga, por Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios, já havia chamado atenção para a questão da Cinemateca. Na categoria melhor ator segundo o público, o prêmio foi para o ator João Miguel por seu papel em Era Uma Vez Eu, Verônica. “Este é um dos melhores prêmios que eu já recebi na vida, o de público, por um personagem que não é o protagonista. É o coadjuvante. Filme de um diretor que me deu o meu primeiro protagonista no cinema, o Marcelo Gomes. É um filme muito especial. E tive a felicidade de contracenar de novo com uma das grandes brasileiras, Hermila Guedes, à qual eu tenho amor e admiração”, comentou Miguel.
“E pudemos fazer as cenas de sexo com uma intimidade que só apaixonados pelo cinema podem ter. Com muito amor e amizade. Este filme teve isso muito fortemente. Receber um prêmio por um papel coadjuvante como melhor segundo o público neste espaço tem uma significância enorme. Eu vim morar em São Paulo há nove anos e foi através do Sesc que eu vim com o Bispo. E foi através do Bispo que cheguei ao Aspirinas. E hoje eu tenho companheiros de guerra, de amor e de poesia, acreditando nisso, em uma trajetória incerta que é o nosso ofício”, continuou o ator, que completou um dos discursos mais belos e contundentes da noite: “Aproveito também esta noite para, numa maneira muito singela, mas indignada, de questionar como se está produzindo cinema no Brasil e como o público está vendo pouco cinema no Brasil. É um assunto muito sério. Em termos de política cultural. Um artista representa e quer continuar representando seu país a partir de histórias. Estou muito agradecido. E dedico este prêmio a um ator que nos deixou em um momento que me faz refletir muito sobre o ofício e sobre a vida: Valmor Chagas.”
Para completar a homenagem a Carlão, uma exposição com Fotos, documentos, trechos de filmes, pôsteres, entrevistas e vários objetos que serão expostos no hall do Cinesesc, o curso o curso A Boca do Lixo e o Cinema de Carlos Reichenbach, que traça um panorama da produção do diretor, será realizado de 15 a 18 de abril, das s 19h30 às 21h30.

Confira a lista completa dos premiados: 

Votação Críticos

Categoria Nacional

Melhor Filme Ficção – Febre do Rato (Cláudio Assis)
Melhor Filme Documentário – A Música Segundo Tom Jobim (Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim)
Melhor Diretor- Edgard Navarro (O Homem que não Dormia)
Melhor Ator – Irandhir Santos (Febre do Rato)

Melhor Atriz – Camila Pitanga (Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios)
Melhor Roteiro – Hilton Lacerda (Febre do Rato)

Melhor Fotografia – Mauro Pinheiro Jr. (Sudoeste)

Categoria Estrangeira

Melhor Filme – A Separação (Asghar Farhadi)

Melhor Diretor – Asghar Farhadi (A Separação)

Melhor Ator – Michael Fassbender (Shame)

Melhor Atriz – Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre Kevin)

Votação Público

Categoria Nacional

Melhor Filme Ficção – Febre do Rato (Cláudio Assis)
Melhor Filme Documentário – Tropicália (Marcelo Machado)
Melhor Diretor – Cláudio Assis (Febre do Rato)
Melhor Ator – João Miguel (Era Uma Vez Eu, Verônica)
Melhor Atriz – Camila Pitanga (Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios)
Melhor Roteiro – Afonso Poyart (2 Coelhos)

Melhor Fotografia – Ivo Lopes Araújo (Girimunho)

Categoria Estrangeira

Melhor Filme – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge  (Christopher Nolan)
Melhor Diretor – Martim Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Melhor Ator – Michael Fassbender (Shame)

Melhor Atriz – Meryl Streep (A Dama de Ferro)

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