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Detalhes muito grandes de uma guerra

Flavia Guerra

14 de março de 2011 | 22h22

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Thogun, Julio Andrade, Francisco Gaspar, Daniel de Oliveira e Ivo Canelas ‘perdidos na neve’

Aviano, Friuli/Itália

Aviso aos navegantes: posts (e não matérias) mais completos, contextualizando historicamente a Campanha da Itália, como foi chamada a ‘campanha do Brasil’ na Segunda Guerra, na Itália, virão.

Por ora, é hora de contar e mostrar o que acontece no set, ou no front, de A Montanha, o filme. Dirigido por Vicente Ferraz, que não conta epicamente esta pequena-grande epopéia dos Pracinhas, mas que revela uma guerra quase particular de quatro oficiais brasileiros em busca de um campo minado, que planejam desarmar para recuperar a credibilidade supostamente perdida após um ataque de pânico.  No caminho, encontram Rui Nogueira, jornalista e correspondente de guerra, que desobedece algumas ordens para conseguir tão somente contar uma boa história.

No caminho, encontram também a neve, o frio, a solidão e a dor que uma guerra pode provocar. Mais do que ler em qualquer livro sobre o tema, aprender a caminhar e a passar o dia filmando nos montes nevados do norte da Itália ensinou aos atores e à toda equipe (incluindo a esta blogueira que vos escreve) que em uma guerra as maiores batalhas podem ser as pequenas lutas de cada uma para sobreviver não só ao inimigo declarado, mas também à força da própria natureza.

Nossos pracinhas, nada preparados e nem acostumados às temperaturaas extremas do inverno europeu, encontraram várias formas criativas de sobreviver. Usar jornal para manter as botas secas, e os pés a salvo, foi uma delas. Parece ‘detalhe’, mas não é.

Décadas à frente, e, digamos, com um pouco mais de sofisticação, nossos atores tiveram a ajuda de meias térmicas e secadores de cabelo para manterem seus pés aqueciddos. A propósito, a equipe de figurinistas usava os secadores para literalmente aquecer e secar os pés do elenco em pausas da filmagem. Mas o velho e bom ‘papel’ não pôde faltar. “Só de passar algumas horas, e isso porque tínhamos toda a ajuda dos figurinistas, já sentíamos os pés congelarem. Ficamos imaginando o que foi a vida dos soldados que passavam dias caminhando na neve”, comentou o ator Thogun (Sargento Laurindo) a este blog enquanto se preparava ‘para um dia de batalha’.

O que Thogun botava entre os pés e a ‘primeira’ meia? Entre a primeira meia e a segunda? Tudo para manter os pés secos e aquecidos? Papel. Só que, desta vez, em vez de jornal, o bom e velho papel toalha. “E não é que funciona? Foi a melhor coisa que usamos. Sem isso, não teria filme”, brincou Thogun.

Então, para quem pretende fazer longas caminhadas na neve em um futuro próximo, fica a dica: papel toalha!

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