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Como se faz um filme de guerra?

Flavia Guerra

10 de março de 2011 | 08h15

Frisanco – Friuli/ Itália

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O contra-rega Peppe, o diretor Vicente Ferraz (ao fundo) e sua trupe: Filme de guerra é guerra!

Como se faz um filme de guerra? Flavia Guerra, sem trocadilhos, responde. Ou tenta descobrir e responder. Já que, honrando o sobrenome, a repórter que vos escreve resolveu descansar no campo de batalha e passar três semanas no set de A Montanha.

Explicando melhor: A Montanha é um filme sobre a epopéia dos Pracinhas, os brasileiros escalados para lutar na Campanha da Itália na Segunda Guerra. Dirigido por Vicente Ferraz, de Soy Cuba, O Mamute Siberiano, A Montanha conta, grosso modo, a história de quatro oficiais da FEB (a Força Expedicionária Brasileira) que, no lendário Monte Castello, conhecem um alemão e um italiano e descobrem que na guerra, e na vida, nem tudo é o que parece.

Há muito mais a se falar e contar sobre esta história, sobre o filme, sobre a história do filme, sobre o filme sobre o filme (chamado de making of, que registra as cenas de bastidores do processo todo), sobre o exército de brasileiros, italianos, portugueses, costa-riquenhos, alemães e afins que estão lutando juntos aqui no front em Friuli para ‘botar o filme na lata’ e nas telas.

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Tenente Daniel de Oliveria espera sua hora de entrar em cena: cinema, e guerra,

é a arte da paciência

Este é o primeiro de muitos posts sobre esta minha jornada. Sim, porque, além de passar férias no front, resolvi também escrever meu diário de guerra e contar como é isso de ‘fazer cinema de guerra brasileiro’. Se, como dizem nossos companheiros de front europeus, de guerras, nós brazukas não entendemos muito, ao menos não as oficialmente declaradas como a Segunda Guerra, não sabemos também muito dos nossos pracinhas que aprenderam a fare la guerra, e a paz, na Itália em pleno conflito, no auge dos anos 40. Não sabemos também que filme dará o A Montanha, mas sabemos já que, se fazer cinema já é uma guerra, fazer um filme de guerra é de fato uma batalha!

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