Como formar líderes e influenciar pessoas
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Como formar líderes e influenciar pessoas

Flavia Guerra

22 de outubro de 2008 | 22h41

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Jovens ‘líderes do amanhã’ em confraternização em famosa moradia estudantil no centro de Londres

O local da festa mais lembrava um daqueles cenários de Sociedade dos Poetas Mortos. Mais de uma centena de estudantes de mais de uma centena de países em desenvolvimento. Sri Lanka, Brasil, Venezuela, Argentina, Índia, Peru, Romênia, China, Japão, Serra Leoa… Todos escolhidos entre milhares… Todos diferentes. Todos com um denominador comum: Socialmente relevantes. Todos congratulados com um dos programas de bolsa de estudos mais famosos do Reino Unido. A noite era de celebração. E de ‘troca de cartões de visita’.
“Somos os líderes de amanhã. Nós vamos dominar o mundo”, dizia o argentino para a colega brasileira, que preferiu ironizar: “Prefiro pensar no hoje mesmo. Toda vez que algum brasileiro pensa em dominar o mundo, descobre que lá fora tá um sol lindo e dominar o mundo é tão boring (entendiante). Melhor aproveitar o dia lindo.”
O Venezuelano estava mais interessado em fazer amigos e influenciar pessoas. “Brasil? Que ótimo! Somos vizinhos!” “Por quê? Você também vive em New Cross?”, respondeu a ‘vizinha’ desavisada. “Não! Somos vizinhos de continente!”, respondeu o ‘síndico’ sul-americano.
O indiano estava mais interessado em explicar como era fazer a guarda às margens do Ganges e, ao mesmo tempo, como conseguiu mudar da carreira de ‘polícia’ para ‘desenvolvimento humano’. O romeno, psicólogo, que se especializa em matemática, ou na ‘difícil ciência da matemática das decisões’, não entendia muito como um diretor de cinema pode ser um ‘líder de amanhã’.
O argentino ajuda a explicar: “Os artistas, como a diretora de cinema aí, acham que nós, que estudamos leis, economia, desenvolvimento, somos superficiais e sérios ao mesmo tempo. Já que um país sem cinema é um país sem rosto, a face dos cineastas é sempre mais divertida que a nossa.”
A ‘aprendiz de diretora’ contenta-se em dizer: “Não disse isso. Só disse que enquanto o mundo anda em crise, o cinema caminha, seja a 24 quadros por minuto seja no digital mesmo.”
E o romeno (que não se lembra que a Romênia venceu o Festival de Cinema de Cannes 2007 com um filme sobre o controverso tema do aborto e que o Brasil venceu o Festival de Berlim 2008 com o nada feliz Tropa de Elite) muda de assunto: “Não vejo muitos filmes, nem estrangeiros nem romenos. Mas, se os brasileiros são todos felizes, os romenos são melancólicos. Só não me pergunte por quê.”
“Vamos deixar de falar e partir para o que interessa. Quem vai amanhã no seminário de desenvolvimento mundial em tempos de crise? Mas, antes, melhor, quem quer tomar uma pint (dose de cerveja, que poderia ser bem traduzida como o ‘choppinho inglês’)?”, encerra o japonês.
E assim caminham os jovens líderes de um futuro próximo. ‘Sério’ ou ‘divertido’, sempre ‘em desenvolvimento’.

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