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Classe cinematográfica se mobiliza pela Cinemateca

Flavia Guerra

16 Setembro 2013 | 02h37

 Ato público em prol da entidade reuniu profissionais no sábado

 

José Mojica Marins, o Zé do Caixão, discursa em defesa da Cinemateca na noite de sábado

 

 

Flavia Guerra

Em uma manifestação que reuniu no sábado mais de uma centena de personalidades do cinema em frente à Cinemateca Brasileira, o ato público em prol da entidade terminou com saldo positivo. “”Foi um sucesso. Tivemos a presença de diretores, produtores, fotógrafos, técnicos cinematográficos, críticos, cinéfilos, funcionários e ex-funcionários da Cinemateca, pesquisadores, professores e estudantes de cinema”, declarou Daniel Chaia um dos integrantes da diretoria colegiada da ABD – SP (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas – Seção São Paulo), organizadora do ato. “O ato mostra a importância da Cinemateca Brasileira para a cultura do país, e aponta para uma união da classe cinematográfica nessa mobilização. Esta ação não é o fim de uma fase, mas é o começo de uma série de outras ações que faremos”, completou.

Entre os nomes que falaram publicamente durante o ator, estavam nomes significativos do audiovisual nacional. Da produtora Sara Silveira, ao ex-secretário municipal de cultura, o cineasta e ensaísta Carlos Augusto Calil, passando por José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e os diretores Roberto Gervitz, André Klotzel e Paulo Sacramento.

Sara abriu a manifestação e declarou seu apoio à demanda da ABD – SP por ações do Ministério da Cultura para reverter a crise por que passa a Cinemateca desde o início do ano. “Tem de haver um plano emergencial sim, para que tudo isso se resolva o mais rápido possível, mas importantíssimo é que haja uma política cultural, que respeite o valor de instituições como a Cinemateca e sua história”, declarou a produtora ao Estado. “Precisamos de trabalho sério e de longo prazo. E de atitudes. Queremos ouvir que a partir de tal dia entre em vigência o plano A, em tal dia, o plano B”, analisou Sara em relação a três planos emergenciais que foram anunciados pela Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura nesta semana. Segundo informou o secretário do audiovisual Leopoldo Nunes ao Estado, os três planos irão destinar R$ 3milhões à Cinemateca, que serão investidos em três frentes: restauro e preservação; catalogação e acesso; e uma agenda de difusão, que deve começar a valer ainda este ano.  

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um dos cartazes que foram afixados na faxada da Cinemateca durante o ato

Sara e Gervitz ressaltaram que o ato não se tratou de uma ação política, mas foi sim apartidário e em prol da proteção à Cinemateca, uma instituição de ponta quando o assunto é a preservação da história do cinema brasileiro. “Tudo no Brasil é sempre político. Depende de quem esta no poder no momento. A falta de continuidade nos trabalhos culturais é vergonhosa. Estamos indo bem economicamente, mas culturalmente estamos nos arrastando. Devemos deixar de lado as desavenças políticas”, afirmou Sara. “Temos que nos unir agora, seja qual partido for, seja qual a área de atuação. O importante é defender o cinema nacional. A Cinemateca tem uma importância crucial. E esta quase paralisação por que a entidade passa é perigosa, pois é o retrocesso de um longo progresso que levou décadas para ser alcançado”, disse Gervitz.

Durante o ato, os funcionários da Cinemateca leram uma carta aberta, na qual foram ressaltados os fatores de que se constitui esta crise. Entre os itens mencionados, estão as demissões, os cortes de custo, que prejudicaram serviços como a análise técnica de materiais do acervo, sua conservação, a atualização da base de dados, o funcionamento da biblioteca, o empréstimo de cópias, a quase paralisação do setor de pesquisas, entre outros.

O ex-secretário Calil também falou durante o ato e ressaltou que a mobilização foi importante para alertar o MinC da importância da Cinemateca, uma das mais importantes do mundo. “É um ato político sim a forma como esta crise está sendo levada pelas autoridades, que não percebem o significado do desmante que vem ocorrendo desde o início da crise, no começo do ano. É fala de sensibilidade do governo. São problemas do governo, não da Cinemateca. O governo que resolva seus problemas administrativos. Que mude as leis e encontre mecanismos de administração”, declarou o ex-secretário.

“Esta é uma cinemateca de ponta que vem sendo desmembrada dia a dia. Mesmo que amanhã de manhã tudo volte a ser como em dezembro do ano passado, o estrago já vai ter sido muito grande. 50 pessoas foram dispensadas, gente que estava trabalhando aqui há mais de 20 anos foi embora. Não é só um concurso público, que devia ter sido feito em 1985, que vai recuperar isso. O que é preciso agora é que o avião não caia. Ele já baixou muito. Se ele cair, isso aqui vai virar um museu.”