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Carta de Achamento do Brasil – 511 Depois

Flavia Guerra

22 Abril 2011 | 17h24

BANDEIRA_UNICA_BRASIL_PORTUGAL.JPG

Bandeira luso-brasileira do site da Embaixada Portuguesa no Brasil. Bravo! 

 

São Paulo

Vê lá. Há exatos 511 anos os portugueses descobriram o Brasil. E os brasileiros? Já descobriram o Brasil?

Assim, parece já passado este assunto. Mas todo 22 de abril, bate a sensação: Que País é Este?

Então. Disse Pero Vaz de Caminha em sua célebre Carta de Achamento do Brasil: “…querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”

Como toda moeda da Coroa tem duas faces, por ‘salvar’, deveríamos entender pela parte da cristianização e educação dos homens da terra por vias europeias? Ou pela parte da escravização e assassinato de milhares de índios e índias?

É… 511 anos depois, adoraria eu que Caminha assistisse a esta ‘vídeo-carta’ aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=9WIPV_DLYr0

É… O KL Jay, uma das cabeças pensantes do Racionais MC’s, lá do Capão, concorda muito não.

Já eu, que como Tom Zé, acho que muitas vezes é melhor confundir pra explicar e que a mistura brasuca é o que há ainda para se descobrir. A herança controversa, mas bem vinda, lusitana está em toda parte e que assim continue. O Brasil só é Brasil porqu portugueses, índios e negros misturaram ovo, farinha, açúcar, aipim, coco e dendê na receita deste povo ardido e doce. Não fosse assim, talvez houvesse até mais ordem. Mas o progresso seria muito menos interessante.  Aqui se plantou, aqui felizmente se deram portugueses, índios, negros,  e também italianos, judeus, armênios, almemães, holandeses, poloneses, russos, espanhóis, franceses, japoneses, chineses, coreanos, peruanos e até bolivianos. O que mais vem por aí? Antropofagicamente, neste canto das três mil raças, nossa identidade é todas e nenhuma tudo ao mesmo tempo agora!

Só é pena que naquele 22 de abril de 1500 as índias de vergonhas saradinhas (vide Caminha, como se referiu às nativas da terra na mesma missiva ao Rei Dom Manuel) não eram tão safas como a índia do vídeo aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=K5rOKa830iw

É.. É para pensar. Nesta terra, em se plantando, tudo ainda dá. É só educar. E como bem disse o bravo ator português Ivo Canelas, que estava a interpretar um jornalista brasileiro no filme A Montanha (de quando os assuntos convergem e, no fundo, tudo e todos somos um): “O Chico (Francisco Gaspar, ator paraense que no filme faz o nordestino Piauí, a síntese da raça síntese branco – negro – índio) estava a brincar que eu sou o europeu colonizador. Que colonizador! Faz tempo que o Brasil é que colonizou Portugal!”

511 anos depois, o momento histórico é outro. Há tempos Don João abriu os portos brasileiros às nações amigas. E assim eles permanecem. Falar de ‘colonização’ é tão ultrapassado quanto mandar missivas. E se a gente fosse entrevistar Macunaíma , arrisco a dizer que ele diria: “O brasileiro colonizar alguém? Vixe! O brasileiro quer ser feliz, brincar, tomar banho de mar, de cachoeira… Isso de ‘dominar o mundo’ dá um trabalho… Está um dia lindo lá fora…”

É… já que não se poder inventar um novo começo, que venha um novo fim. É melhor a gente cantar um fado tropical! Porque esta terra ainda vai cumprir seu ideal…

http://www.youtube.com/watch?v=4DsgLgYFa-w