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Cannes 2012 – Paradise: Love. Ou quanto vale o amor?

Flavia Guerra

17 de maio de 2012 | 21h59

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Flavia Guerra/ Cannes

 

Já dizia Nelson Rodrigues que toda unanimidade é burra. E o concorrente à Palma de Ouro exibido nesta quinta-feira para a imprensa (a sessão de gala do filme ocorre amanhã e promete) foi quase unânime na rejeição e nos risos nervosos que causou. Isso porque o longa do austríaco Ulrich Seidl pesa a mão ao contar uma história repleta de diferenças culturais, econômicas, socais, afetivas, geográficas, sexuais… Vamos à trama: Em um paradisíaco balneário do Kênia,  mulheres europeias, todas já beirando os 50 anos, passam as férias curtindo o paraíso. E por paraíso entenda-se não só as águas quentes e claras das praias transparentes, nem a água de coco local… O que cheira e tem gosto de coco é a pele dos negros que elas ‘experimentam’ ao se deixarem levar pelos prazeres da carne. Carne esta paga com muito gosto e muito suor. Mas quem sua mesmo são os negros locais, que prometem ‘amor eterno’ em troca de muitos trocados para ajudar um irmão doente, um outro acidentado, um sobrinho precisando de leite…

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O mal-estar causado por cenas de um grupo destas senhoras que contratam um negro para ‘animar’ a festa de aniversário de uma delas é digno de nota. No fundo elas sonham na verdade com um homem que lhes olhe nos olhos e não nas formas já longe de seu auge. Elas querem amor. Eles querem dinheiro. Elas também querem uma ‘besta safada’, que pule em cima delas como um predador… ‘um tigre, um gorila’. Quem está mais certo ou mais errado nesta trama altamente contemporânea? Difícil responder. Falta sutileza? Falta. Mas sobra ousadia e contundência. As entrevistas e a coletiva de imprensa do filme ocorrem nesta sexta. E a sessão de gala também. O choque entre o desfile pelo tapete vermelho, a pompa e circunstância dos convidados à la black tie com este retrato em branco-e-preto do turismo sexual, do colonialismo tardio e de tantas outras questões será, no mínimo, interessante. A ver!

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