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Cannes 2012 – Balanço do Dia 2: O amor, ainda que complicado, chega à Croisette

Flavia Guerra

18 de maio de 2012 | 13h48

Flavia Guerra/ Cannes

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O segundo dia do Festival de Cannes começou em clima de romance (ainda que bem  complicado) com Rusty and Bones (Algo como Ferrugem e Ossos). Estrelado por Marion Cotillard, o filme de Jacques Audiard (de O Profeta, premiado aqui em 2009) conta a historia de uma treinadora de baleias que se envolve com um ex-boxeador. Emocionou crítica e público e trouxe o amor para o primeiro plano da competição. Amor também foi o tema do terceiro concorrente à Palma de ouro, o austríaco Paradise: Love/ (Paraíso/Amor, de Ulrich Seidl). Quer dizer, amor e dinheiro. E por que nao dizer: sexo, dinheiro, política, racismo, colonialismo… O filme conta a história de uma senhora austríaca que vai passar férias em um balneário paradisíaco do Quênia. Ela está em busca de descanso e amor. Quer dizer, de sexo… Mas para isso, tem de pagar a um dos centenas de jovens quenianos que rondam os resorts locais oferecendo artesanatos, passeios e, claro, ‘amor’.

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O filme não agradou muito a imprensa internacional, que o julgou exagerado e apelativo. Eu particularmente vejo uma grande ousadia em revelar cenas que todos sabemos que existem..mas que não gostamos nem de imaginar, como um grupo de mulheres que paga para um garoto de programa ser a cereja do bolo de aniversario de uma delas. O diretor filma este universo quase com rigor documental. A dramaturgia perde, mas a crueza ganha. E a estranheza é o que fica. Escolha, no mínimo, ousada de Cannes.

Já nas seções paralelas Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica foi dia de abertura. Na primeira, o sempre cult Michael Gondry apresentou seu The We and The I. Na segunda, foi a vez de Broken, de Rufus Norris, inaugurar a Semana da Crítica sob problemas técnicos que paralisaram a sessão. Mas que foram contornados.

 

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