BraZil no Guardian – ou Tupi or not Tupi?
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BraZil no Guardian – ou Tupi or not Tupi?

Flavia Guerra

27 de novembro de 2009 | 16h22

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Rachel Holmes aprende a fazer uma autêntica caipirinha no Guanabara, a casa noturna brasileira mais famosa de Londres

Londres

Prólogo:
Deu no Guardian. Um amigo no Brasil, o Zé Kley, me mandou o vídeo acima e comentou: Brasil em Londres para inglês ver. ai, ai, ai…

O vídeo completo da Rachel vai aqui:
http://www.guardian.co.uk/travel/video/2009/nov/26/my-brazilian-night-out-london

Como não virar um post no blog? Impossível!

Então, aí vai:

A Brazilian noitada que muitos londrinos encaram pensando ter, assim, um taste of real
Brazil. Não que não seja o Brasil… nem que não seja real… Mas o lado picky (cricri) da colônia brasileira está cansado de ver e ser visto como a ‘Terra da Lambada”. Não que a lambada não tenha nascido no Pará antes de ganhar o ritmo caribenho que transformou o Kaoma (!!!) em fenômeno mundial. Juro, até os húngaros conhecem ‘Chorando se foi’… Não que a lambada não seja diversão garantida! Como bem definiu a Brazilian Expert, no Café Rio, Bel Groves, lambada é como Dirty Dancing, mas mais divertido.
Não que a feijoada não seja uma das nossas deliciosas ‘comfort foods’, não que a caipirinha do Guanabara não seja ótima e feita com cachaça de verdade. Não que os brasileiros que aqui sofrem de banzo (ou que estão homesicks) não se orgulhem de todos estes ‘quality labels’.

Mas, enfim, já que o Brasil está mais na moda do que nunca por conta dos ‘por vir’ Copa do Mundo e Olimpíadas, por que o Guardian não consegue descobrir o Brasil que vive em Londres além destes clássicos da terrinha? Clássicos que, de tão bons, acabam se tornando reducionistas. Só para citar um pequena lista, o Brasil londrino vai muito além do Favela Chic (o descolado point dos fãs de tudo isso acima, mas que querem uma pegada mais ‘hype’ para sua noite latina), do Festival de Cinema Brasileiro (tanto o do Barbican quanto o do Riverside Studios), do Raízes, do Guanabara…

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Supla e João Suplicy em foto de entrevista publicada no site do Guanabara: www.guanabara.co.uk

O Brasil londrino passa pelo exército de compatriotas que se espalham cada vez mais por Willesdem Junction… Pela Harrow Road… Vai desde os cleaners (os faxineiros que garantem a ordem dos escritórios da City London muito antes dos bankers chegarem ao trabalho para decidir os rumos do credit crunch), dos couriers (que, como o Karl Max, levam de cima para baixo pelas ruas de Cannary Warf documentos que eles jamais terão legalidade de ter), dos artistas gráficos que se espalham pelos estúdios de Old Street, Shoreditch, Soho, dos estudantes que ocupam os bancos de mestrado da London School of Economics, da Goldsmiths, da St. Martins…Estudantes que vão voltar para o Brasil cheios de idéias novas que tiveram no Velho Mundo. E chega até ao Forró da Brick Lane (a rua dos indianos, paquistaneses e bengalis que acabou virando uma das ruas mais descoladas do East End) e passa até pela Galeria 32, espaço anexo à prolífica Embaixada Brasileira.

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galeria de capas e site oficial da Jungle Drums: www.jungledrumsonline.com

Em dezembro, por exemplo, a 32 vai trazer a ao West Side a Experiência NeoConcreta de mestres como Amílcar de Castro, Cláudio Mello e Souza, Ferreira Gullar, Lygia Pape… E tudo isso vai parar nas páginas caprichadas da Jungle Drums. Revista que uma bela equipe de brasucas jornalistas faz a duras penas e que dita, em português e em inglês, para todos gringos lerem, que o Brasil londrino inclui também shows de Adriana Calcanhoto, Céu, e até mostra de cinema político na alternativa Bethnal Green Road. Cá entre nós, o ‘meu’ East End, onde moro, é o que há de autêntico e inovador no cenário imobiliário, cultural e fashion da capital inglesa.

Por que será que o mais do mesmo ainda vende mais? Ou será que não? Resta a nós, brasileiros de Londres, ou do Brasil mesmo, ampliar esta janela pela qual nós vemos o mundo e que, por consequência, o Velho (e o novo) Mundo nos vê. Como bem dizia um certo Oswald de Andrade, Tupi or not Tupi? That’s the question!

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