Anistiar ou scannear? Eis a questão!
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Anistiar ou scannear? Eis a questão!

Flavia Guerra

07 de janeiro de 2010 | 19h15

Prólogo:

Caros leitores, acrescento este prólogo como resposta aos comentários postados por alguns aqui abaixo.
Sinceramente, este blog pode ser lido, e deve, como cada um bem o entender, uma vez que eu escrevo como bem entendo. Mas, muito por saber que temas como estes são explosivos, não fiz uso de grandes adjetivos e opiniões. Como bem disse, são ‘fatos e fotos’ e não opinião.
Mas, diante dos comentários, opino agora. Não acredito que um ‘eu com isso’ vai resolver nossos problemas tanto com os imigrantes que exportamos quanto com os que recebemos. Esta aldeia, ainda que em chamas, é global sim. Ainda que haja muitas porteiras espalhadas por ela. Mas somos todos parte de um organismo em desequilíbrio. E acredito que seja in Europa seja in Terra Brasilis, a questão não é ‘estrangeiro ou não’. Se há equilíbrio social, se há trabalho, honesto e digno, se o tal do estrangeiro colabora para o funcionamento do órgão local do organismo global, deve ser bem vindo. Controle é uma coisa. Xenofobia é outra. O que faz de cidades como São Paulo e Londres lugares ricos em cultura e economia é, justamente, seu passado e presente de migração e imigração.
E atire a primeira pedra o brasileiro que tem 100% de puro sangue. Aqui no Brasil, e muito menos no meu blog, igonorância, xenofobia e racismo? NÃO!

São Paulo

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Scanner, já implantado nos EUA e em estudo na Europa e outros países, revela armas, e algo mais, dos passageiros de vôos internacionais

Fatos e fotos de um mundão globalizado e sem porteira. Ou quase.

Deu no Estadão e no Guardian:
– Londres estuda a possibilidade de implantar em seus aeroportos o scanner que permite checar não só se os passageiros portam armas e outros objetos afins como também os contornos dos corpos nus. Há grupos que defendem as liberdades civis alegando que o novo método de controle, que já foi adotado nos EUA e deve ser adotado por vários outros países da Europa e do Oriente Médio, viola a privacidade dos passageiros, sobretudo a das crianças.

Deu hoje no Estadão, mas no Guardian não:
– Brasil concede anistia a 41.816 estrangeiros.
Como informou matéria do jornalista Vannildo Mendes, destes, 16.816 são bolivianos (parte desses, explorada como mão-de-obra escrava e alvo de traficantes), 5492 são chineses, 4642 são paraguaios e 1129 são coreanos. Do total, 34mil se fixou em São Paulo, 2400, no Rio, e 1500 no Paraná.
A anistia, instituída em julho de 2009 por decreto presidencial, deu direito ao benefício a quem entrou no Brasil, mesmo que por meio ilegal, até 1 de fevereiro de 2009. Todos contemplados ganham visto de permanência provisório e, após dois anos, este será convertido em definitivo, podendo se transformar em cidadania plena se o imigrante assim o quiser.
Esta é a quarta anistia que o governo brasileiro concede a imigrantes desde os anos 80. Desta vez, aliás, surpreendeu as autoridades o número de europeus que pediram o benefício: 2390. Muitos destes provenientes de países desenvolvidos. O número de europeus anistiados foi quase igual ao de africanos: 2700. Historicamente, os africanos sempre ocuparam o topo da imigração para o Brasil, ao lado dos sul-americanos. Para finalizar, 274 norte-americanos também entraram para o time dos anistiados.

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Em foto de Andre Dusek, presidente Lula participa de cerimônia de anistia a imigrantes estrangeiros no Brasil no último dia 02

Não deu no Estadão nem no Guardian:

– Enquanto isso, Maria (nome fictício, mas história real), amiga desta blogueira que vos escreve, precisou voltar ao Brasil para renovar seu visto de estudante no Reino Unido. Mesmo tendo submetido seu pedido de renovação ao Home Office inglês dentro do prazo. Salvo detalhes de documentos e declarações que são necessários, com a mudança nas leis de imigração e conceção de vistos no Reino Unido, Maria não pôde ter seu visto renovado em Londres porque a distância entre o último dia de seu visto anterior e o começo de seu novo curso foi maior que 30 dias. Por cinco dias, Maria teve de desistir do processo iniciado em Londres há meses e recomeçá-lo no Brasil. O juiz que julgou seu caso, afirmou: Entendo seu caso. Acredito que você merece estudar no Reino Unido e que seu caso seja especial. Contudo, vou recomendar você às autoridades inglesas no Brasil e acredito que você não terá problema nenhum para voltar a Londres. Nossa decisão final é somente baseada na lei. E a lei não lê casos especiais. É igual para todos.

– Enquanto isso, Max, personagem de Karl Max Way, o documentário que dirigi e estou finalizando, continua ilegal e não tem planos de voltar ao Brasil, como fez Maria, para entrar novamente na legalidade para, então, voltar a Londres. Max, assim como tantos bolivianos em São Paulo, continua trabalhando, sustentando sua família e colaborando para a dinâmica e a economia inglesa. A julgar pela lei, Max não vai ser contemplado com uma anistia geral do governo inglês. A que tudo indica, o governo britânico não tem nenhum plano semelhante ao do governo brasileiro.

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