A verdade está no meio… da rua!
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A verdade está no meio… da rua!

Flavia Guerra

11 Fevereiro 2010 | 22h08

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Grafite que integrou a exposição Street Art Brazil, na Galeria 32 de Londres, prova que a arte brasileira vai muito além dos estereótipos tropicais. E que a verdade está no meio. No meio da rua.

São Paulo

Prólogo, o comentário do leitor João Baroni a respeito do post anterior:

“Quando nos deparamos com tantos teóricos no estudo das diferenças culturais, me impressiona o Estado manter um blog como esse, que além de ter posts absolutamente fundados em estereótipos e com temas idióticos, coloca um post pior ainda, de uma imbecilidade tremenda.

Realmente quando nos deparamos com uma cultura nova ficamos mais atentos às nossas próprias raízes, mas, como é comum entre brasileiros no exterior (e, caio eu mesmo no tal estereótipo), eles se juntam em bando e ficam comendo goiabada que foi enviada pelo correio.

Para definir em uma palavra: mediocre”

Vamos lá:

Vejam só. O comentário do leitor João Baroni me fez pensar nas últimas semanas.
Isso porque nas últimas semanas também tenho colocado o propósito deste blog em perspectiva. Uma vez que estou em terra Brasilis, falar de Londres talvez se torne algo descabido, não?

Mas, pensando na pressuposto de que quando falando dos outros, falamos muito, na verdade, de nós mesmos, é que penso de fato que este blog, claro, é para brasileiro ler.
Mas que amargor faria um leitor destilar tamanho azedume diante do blog alheio? Eu nunca me achei lá muito dona da verdade e nem do blog. Mas o fato é que imbecilidade e estereótipos ainda dão muito o que falar no mundo.
Não seriam, justamente, os estereótipos que nos afirmam o caráter, esfregam na cara quanto ainda somos naïf sim e, muito, mas muito provincianos?

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Qual pátria é nossa?

Isso não afirma que somos ou seremos melhores ou piores que qualquer outro país. Apenas diferentes. E, de forma naïf é que afirmo que é com as diferenças que aprendo. Seja com as minhas diferenças em relação aos ‘estrangeiros’, seja em relação aos próprios conterrâneos. Muitos compartilham a visão da Vanessa. Outros preferem o Baroni. Há outros que, como eu, preferem observar em vez de julgar. Diante disso, perdoe Baroni, mas o pessoal de Goiânia que migra para Londres não compartilha a opinião dos teóricos acadêmicos. Não por ignorância orgulhosa de nem se dar ao trabalho de ouvir o que ‘o outro’ tem a dizer, mas, por pura e simples falta de educação formal, não consegue acompanhar o discurso sofisticado.
É por isso que o discurso espontâneo da Vanessa me diz tanto sobre ‘nossa própria gente’. Somo isso aí, caro Baroni. Sem tirar nem por uma vírgula sequer.
E, como também acredito que o primeiro passo para se superar uma questão é, em vez de negá-la, admiti-la, é exatamente o que tento fazer aqui a todo momento.
Este blog não se presta nem nunca se prestou a descobrir a última banda mais descolada da esquina ali de Londres dos últimos tempos da última semana. Tanto porque este estereótipo sim é fartamente alimentado por qualquer veículo de imprensa britânico ou tupiniquim.
Tampouco este blog se presta às mais novas teorias revolucionárias fresquinhas baseadas em estatísticas acadêmicas. Não que os teóricos não sejam imprescindíveis para entender ao outro e a nós mesmos. Mas este blog é baseado em fatos. E muitas vezes os fatos são baseados em imbecilidades e estereótipos.
É e sempre foi por meio dos estereótipos e das imbecilidades (minhas e alheias) que sempre quis investigar, como bem diz o nome do blog, o que é para inglês e para brasileiro ler.
Se o tom não agrada a muitos, como dizia um grande brasileiro chamado Guimarães, pão e pães é questão de opiniães.