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A primeira vez que a pequena Vi viu um cão defumado

Flavia Guerra

04 de janeiro de 2012 | 16h23

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                                                             Set do curta O Caminhão reproduz a cena de uma das tantas fazendas de cachorro do Vietnã

Vietnã, Hoa Binh Province

 

Hoje foi dia de cão. Ou não. Foi dia da pequena May Vi, a atriz e estrela de The Truck (O Caminhão), filmar a cena em que sua personagem entra pela primeira vez em um matadouro de cachorros. Vi entrou distraída na ‘sala de abate’, onde os cachorros ainda vivos podem olhar sacos plásticos com ‘cachorros já bifes’ e outros cachorros inteiros defumados. Quando ela, nos seus 10 anos de ativismo contra o hábito de seu pai de adorar ensopado de cão, avistou um dos abatidos, simplesmente pulou, assustou-se e calou. Numa mistura de fascínio, curiosidade e medo.

Foi a primeira vez que eu também vi que fim levam os cachorros que vejo por aí indo de um lado para o outro em gaiolas nas garupas das motos. Isso porque, hipocrisias e julgamentos morais e culturais à parte, os magricelos  cãezinhos que vão e vêm, como já disse em outro post, são tudo menos ‘apetitosos’ à uma primeira olhada.

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Quando não são vendidos por pedaços, os cachorros são defumados inteiros e pendurados nas vendas locais

A meu ver, à segunda e à enésima olhada também. Já aos olhos dos vietnamitas que apreciam a iguaria, como bem disse a bela Ly, não é a aparência nem a textura da carne de cachorro que a torna um bom prato, mas sim o preparo e os temperos.

Pudera! O tal fim que levam os cachorros, além de ser a panela, é virar uma espécie de bicho embalsamado que, exposto e pendurado, é vendido inteiro e talhado em casa pelo comprador. Ou talhado aos pedaços nas vendas locais.

Os meus descritos sobre este hábito alimentar dos mais esdrúxulos aos meus olhos ocidentais quase vegetarianos (uma vez que nem mesmo uma bela picanha entra no meu cardápio) são impossíveis de não soaram um tanto tétricos, mas a mera descrição do abate de um animal, seja ele uma vaca, um porco ou uma galinha, são, por si só, crueis e tétricos.

Cabe a nós não julgar, mas aprender e conhecer. E olhar, quem sabe, para nossos próprios hábitos alimentares e encontrar similaridades. Que vida, e fim, têm os frangos e chesters e afins que já nascem ‘prontos para o abate’ e jamais sabem o que é ter ‘uma vida de frango feliz do terreiro’? Que alegria de vida de ‘vaquinha do campo’ têm as vacas que vivem confinadas com as tetas aprisionadas por extratores de leite? Mais uma vez pergunto, sem encontrar resposta, qual a diferença?

 

ly no

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