Vivendo e não aprendendo

Estadão

09 de dezembro de 2010 | 17h07

Nada me deixa tão chateado quanto tomar uma decisão pessoal, irreversível, planejada – e descobrir que ela foi completamente equivocada.

Infelizmente, há erros enormes que só são percebidos como erros depois que acontecem. E como corrigir erros irreversíveis? Sei lá. Se você descobrir a resposta, fique à vontade: meu e-mail é felipe.machado@grupoestado.com.br .

De qualquer jeito, será que existe alguém no mundo que realmente aprende com os próprios erros? Uau, eu adoraria ser uma dessas pessoas. Pena que minha disciplina mental ainda esteja engatinhando – pelo jeito, vou ter que comer muito arroz com feijão para atingir esse estado tão superior.

Sinceramente, tenho minhas dúvidas a respeito do efeito que os erros provocam no aprendizado. Até porque alguns dos maiores erros são cometidos conscientemente, não?

Talvez seja um defeito só meu, mas há erros que cometo toda vez que sou exposto a determinadas situações. Seria justo, então, chamar essas atitudes de erros? Ou seria mais honesto considerá-los características da minha personalidade? Ou o mais correto, mesmo, seria defini-los como traços da minha personalidade que são normais e aceitáveis para mim, mas que são vistos como erros por outras pessoas?

Relacionamentos são árvores. Altas, baixas, jovens, velhas. Temos que preservá-las não apenas porque são belas e imponentes, mas também porque dão solidez à vida. Nada mais triste do que uma enorme árvore deitada, sem vida, abatida pela falta de razão.

Desculpe se o tom deste texto está soando como autocrítica. Ele é, sim, uma forma de tentar entender porque erramos tanto. E é verdade que tenho, sim, tentado transformar a autocrítica em algum tipo de ação mais prática. O ruim é que nem sempre consigo. Será que sou só eu? É meio frustrante, tenho que admitir.

É preciso ser muito forte para transformar a frustração em volta por cima. O velho enredo do herói que sobe, cai, levanta e sobe de novo é lindo. Ascensão e queda, redenção e triunfo: tem que ser muito forte para realizar todo esse caminho. Quem consegue tem minha admiração.

Uma árvore pode ser transplantada de um lugar para o outro sem que isso provoque sua morte. Mas nem sempre ela se adapta. O que parece inicialmente uma operação bem-sucedida pode criar uma série de problemas mais tarde.

Relacionamentos são árvores, mas pessoas, não. Pessoas são humanas, portanto, passíveis de erros. Tomara que você consiga aprender com os seus.

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