Vestidas para matar

Estadão

17 de abril de 2007 | 09h13

Uma mulher parada em frente a um guarda-roupa aberto: está aí uma cena do comportamento humano que homem algum jamais vai compreender. O que se passa na cabeça delas nesse momento mágico?

A maneira como uma mulher escolhe a roupa é um dos mistérios do universo. Outro fato que nunca será explicado é o costume da mulher de sempre escolher primeiro a roupa que não vai usar. É por isso que ela nunca sai de casa com a primeira roupa que experimenta. Minha mulher, por exemplo, é 10: veste 10 roupas todos os dias antes de sair de casa.

Há mulheres que se vestem para os homens e mulheres que se vestem para as outras mulheres. Depende de como elas acordam, claro, mas também do tipo de impressão que querem passar durante o dia. Eu arriscaria até a dizer que o humor de uma mulher está diretamente relacionado à altura do salto que ela está usando… ou à profundidade do seu decote.

O figurino é uma arma na mão de uma mulher inteligente. Quem se veste bem atinge homens e mulheres ao mesmo tempo, com resultados diferentes.
Veja as mulheres que abusam dos tailleurs. Que tipo de imagem elas passam? Às mulheres, mostram que são as fêmeas-alfa, as líderes. Coitadas das garotas de jeans e camiseta; não têm a menor chance contra as mulheres de tailleur. Aos homens, as poderosas mostram que é bom eles ficarem espertos, ou perderão seus empregos. Cuidado com a nossa competência, querem dizer. O tailleur é o terno da mulher.

A mulher que abre o guarda-roupa e tira de lá uma minissaia e uma blusa decotada também sabe bem o que quer dizer. Aos homens, que é uma deusa do sexo. Babem à vontade, idiotas. Às mulheres, a imagem também é cristalina: tenho pena de vocês, que não tem esse corpinho que Deus me deu e o personal trainer melhorou. Mais pele exposta, mais mulheres feias com inveja. A culpa é do calor? Não sejam ingênuos.

Homem não tem essas coisas. É por isso que neste momento, em algum lugar do planeta, um cara de camiseta regata, chinelo e bermuda assiste à TV. Elas podem sair vestidas para matar, mas sempre voltam para nós, deitadões aqui no sofá.