Uma questão de ponto de vista

Estadão

26 de agosto de 2009 | 10h42

A ideia não é falar sobre ciúme, mas utilizar esse sentimento para abordar uma outra questão: uma questão de ponto de vista.

Você já ouviu falar de gente que faz swing, certo? A prática é conhecida como ‘troca de casais’. É de se imaginar que o último motivo de briga entre essas pessoas é o ciúme, não? Quem faz swing não deve dar a menor bola para esse assunto.

Mas se eles não brigam por ciúme, uma causa de discussão tão frequente em qualquer relacionamento… sobre o quê brigam esses casais, então?

Não tenho a menor ideia, mas devem brigar sobre alguma coisa. Sei lá, talvez porque a mulher queimou o arroz, ou porque o cara esqueceu a toalha molhada em cima da cama. Não importa. O que importa é que tem homem que acha normal ver a mulher transando com outro cara, mas fica louco quando ela queima o arroz.

Tudo isso para dizer o quê? Que tudo na vida é uma questão de ponto de vista. O que eu acho totalmente inaceitável em um relacionamento pode ser a coisa mais normal do mundo para você. E eu posso achar maravilhoso algo que você considera absurdo.

De onde vêm essas diferenças? Da educação, da família, da influência dos amigos… de algum lugar. Arriscando um palpite, eu diria que os relacionamentos mais bem-sucedidos são aqueles em que os casais têm o maior número de pontos de vista em comum. Ninguém precisa pensar igual sobre tudo, porque aí também não teria a menor graça. Discutir um pouquinho é até bom, não? Principalmente quando um dos dois não quer convencer o outro de que é o dono da verdade.

A diferença entre pontos de vista não acontece apenas com os relacionamentos. Na semana passada, por exemplo, tive o prazer de quase ser esmagado por um daqueles ônibus de turnê pintados com a cara do artista. Esses ônibus são horrorosos (no meu ponto de vista, claro), mas o que mais me chamou a atenção foi o nome da banda: ‘Camisa Suada’. E daí fiquei pensando no surreal diálogo entre os membros do grupo:

‘Cara, tive uma ideia genial para batizar a banda.’
‘Opa, manda aí!’
‘Camisa Suada.’
‘Camisa Suada? Mas isso não é meio nojento? Não é uma sensação ruim ficar com a camisa suada?’
‘O que é isso, cara? Não seja careta. É ótimo, as pessoas vão imaginar uma balada animada, com todo mundo pulando… e daí a camisa da galera fica suada, sacou?’

Nunca saberemos se esse papo realmente aconteceu. Mas que a banda foi batizada com esse nome, isso foi. E os músicos aceitaram. Ou seja, tudo nessa vida é uma questão de ponto de vista.

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