Uma (quase) francesinha de voz doce

Estadão

19 de setembro de 2007 | 18h43

madeleine

É difícil resistir ao belo rosto de uma francesinha. É igualmente duro não se cair em tentação por uma bela mulher de voz macia, narizinho pontudinho e uma trança loira que chega quase até a cintura. Juntando os dois pensamentos, é fatal dizer que é impossível não se apaixonar por Madeleine Peyroux.

Apesar do nome e do jeito de francesinha, Madeleine Peyroux é americana e cantou ontem no Via Funchal. Madeleine (olha a intimidade) começou o show com ‘Blue Alert’ (Leonard Cohen) e, apesar de ser uma das minhas favoritas do disco ‘Half the Perfect World’, demorei para reconhecer a melodia da canção. Por quê? Porque Madeleine ao vivo é bem diferente da Madeleine de estúdio.

Feche os olhos e imagine que a voz de qualquer cantor ou cantora desenha uma curva no ar, dependendo da entonação, do timbre, etc. Em estúdio, Madeleine risca no ar uma curva suave, tranquila, sem sustos ou caminhos radicais e imprevistos. Ao vivo, no entanto, esse desenho vocal é bem diferente: no palco sua voz parece viajar numa montanha russa, que vai para lá e para cá sem tanta suavidade; ela experimenta muitas melodias diferentes no mesmo verso… e nem sempre acerta. Às vezes sua voz perde um pouquinhozinho da afinação no meio do caminho, mas tudo bem, porque ninguém é perfeita. Nem Madeleine Peyroux, embora eu admita que seria ótimo se ela cantasse no meu ouvido todas as noites antes de eu dormir.

A platéia do Via Funchal também foi um show à parte: um público muito diferente das típicas platéias de jazz que vejo por aí. Muitos casais de meia-idade, claro, e os tradicionais tigrões vestindo jeans e blazer branco – sem preconceito, afinal, sou praticamente um deles. Mas o que me chamou a atenção foram as fãs de Madeleine. Luana Piovani estava lá. Algumas (menos famosas) se vestiam como a cantora, aquele figurino hippie-hype de sandália Havaiana e jeans Diesel. Outras eram ‘covers-patricinhas’ de Madeleine, prova de que seu sucesso ultrapassa o das cantoras tradicionais de jazz. Essas garotas pareciam mais interessadas em fazer pose do que em ver o show. É só dizer que no caminho entre as mesas e o banheiro, reparei que muitas delas caminhavam como se estivessem na passarela da São Paulo Fashion Week. E eu nem sabia que o jazz estava na moda…

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