Uma pitadinha de sorte

Estadão

24 de maio de 2010 | 13h17

Vídeo: Vanessa da Mata e Ben Harper desejam ‘Boa Sorte/ Good Luck’

No excelente filme espanhol ‘Intacto’, de Juan Carlos Fresnadillo, uma confraria de pessoas com muita sorte aposta entre si, criando situações estranhas e até meio macabras. O personagem principal é Tomas, o único sobrevivente de um acidente aéreo em que morreram centenas de pessoas.

Lembrei imediatamente do filme na semana passada, quando ouvi a notícia de que um menino holandês de 9 anos havia sobrevivido após um acidente aéreo que deixou 103 mortos na Líbia. As imagens do avião destroçado tornaram a história ainda mais inacreditável. Como é possível alguém sair vivo dali? Não sei, mas Ruben van Assouw saiu. Isso só prova uma coisa: o impossível só é impossível até acontecer.
A primeira coisa que vem à cabeça é que foi muita sorte do garoto. Mas fico imaginando: como será a vida dele quando virar um adulto? Além de perder a família, qual será a influência que essa sorte terá sobre o resto de sua vida?

O que costumamos chamar de sorte é realmente uma coisa muito interessante. Alguém já definiu sorte como ‘talento + oportunidade’, o que acho que faz sentido para algumas aplicações, como a vida profissional ou o sucesso na carreira artística. Mas, às vezes, sorte é simplesmente uma coisa positiva que acontece com você. Tem gente que tem a sorte de ser sortudo, mesmo.

Já ouvi muitas vezes a expressão ‘sorte no jogo, azar no amor’, mas nunca consegui entender a relação entre as duas coisas. Talvez seja porque tanto o amor quanto o jogo são coisas que podem ser muito boas ou muito ruins para a vida de alguém. Se alguém tem um dos dois, não poderia ter o outro. Seria um fenômeno, sei lá, injusto com o resto de nós, pessoas normais.

Para falar a verdade, nem sei se existe realmente algo como ‘sorte no amor’. Tudo bem, em Hollywood o mocinho dos sonhos sempre bate na porta (sem querer, claro) pedindo açúcar para a mocinha. Mas na vida real acho que tem sorte quem merece ter sorte, quem teve ‘talento + oportunidade’ de atrair a pessoa dos sonhos.

É a mesma coisa com o azar, não? Todo mundo tem qualidades ou defeitos, depende de quem vê. Às vezes dizem: ‘Que azar aquela garota teve em se apaixonar por um cara tão péssimo…’ Na minha opinião isso não tem nada a ver com azar: alguma coisa na personalidade do cara péssimo fez com que ela se apaixonasse. Mas ninguém tem qualidades ou defeitos isolados do resto da personalidade: eles são parte de quem a pessoa é. Portanto, se ela achasse o cara realmente péssimo, nunca se apaixonaria. Agora, se o defeito não a incomoda tanto assim… sorte dela.

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