Uma noite de terror com Marilyn Manson

Estadão

27 de setembro de 2007 | 16h03

manson

Nunca fui muito fã de sua música; confesso que fui ontem ao show do Marilyn Manson no Via Funchal mais por curiosidade do que por qualquer outra razão. Queria ver de perto o ‘Anti-Cristo do rock’, como ele mesmo se define, ver se ele realmente é tão assustador quanto nos vídeos e fotos.

Bom, quanto ao quesito ‘assustador’, até admito que ele é, sim. Não é um cara de dar medo, claro, mas é um artista com uma presença meio assustadora graças ao visual vampiresco composto por maquiagem/olhos brancos de vidro/botas de plataforma/tatuagens/cabelão preto e uns terninhos estilo cabaré-do-inferno. Ele parece um filho de Joey Ramone (vocalista dos Ramones) com Gene Simmons (o linguarudo do Kiss).

O início do show foi bem impressionante, com Manson surgindo em meio a uma cortina de gelo seco e luz vermelha com uma faca na mão (foto acima de Daniel Munoz/Reuters). Deu para ver de cara que trata-se de um artista que sabe o que está fazendo, tanto pelas referências ao cinema expressionista alemão (‘Gabinete do Doutor Caligari’, etc) quanto pelas influências de Alice Cooper e Kiss. Manson coloca tudo isso num caldeirão e mistura com rock bem pesado, que às vezes soa muito rápido (e meio nu-metal) ou arrastadão (mais para o gótico/dark). Não conhecia muito o repertório, mas gostei principalmente de sua famosa versão para ‘Sweet Dreams’, do Eurythmics, e ‘The Beautiful People’, seu maior hit (que título irônico para uma canção dele…:-)

Outra prova de que ele é um cara antenado é que Manson conhece arte e até se arrisca numa carreira como pintor. Quem quiser conferir seus quadros (que seguem o estilo de ‘pinceladas sujas’ de nomes como Lucien Freud, por exemplo) pode visitar a Galeria Romero Britto (R. Oscar Freire, 562, 3062-7350). Manson abre a exposição hoje, pessoalmente, antes de se mandar para tocar na festa da MTV (Video Music Brasil).

Boa parte do show também ficou por conta da platéia. Fiquei impressionado com a quantidade de fãs no Via Funchal. Muitos deles caracterizados como o ídolo, com maquiagem, botas e roupas pretas de couro. Tudo muito interessante, só uma coisa eu odiei: o público gritando ‘Manson, Manson’ antes do início do show. O sobrenome ‘Manson’ é uma referência/homenagem do artista a Charles Manson, líder da turma de delinquentes que assassinou Sharon Tate nos anos 70. O nome completo, ‘Marilyn Manson’ (Marilyn Monroe + Charles Manson), até soa como uma ‘crítica ao sistema’, etc. Mas seis mil pessoas gritando apenas ‘Manson’, o nome de um assassino desprezível, não tem graça nenhuma. Será que os mais jovens sabem quem foi Charles Manson?

Para não terminar o texto de maneira ‘deprê’, imaginem uma cena engraçada: o Marilyn Manson fazendo compras na Daslu. Ou animando a garotada nas Noites de Terror do Playcenter. Zé do Caixão que se cuide.

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