Uma história de amor (parte 3)

Estadão

18 de dezembro de 2008 | 13h35

Há algumas semanas contei aqui a história do garoto que foi para os Estados Unidos e se apaixonou por uma americana; dez anos depois, o casal se reencontraria para reviver esse amor no topo do Empire State, em Nova York.

Achei que era um final aceitável, mas os leitores não concordaram. Recebi vários e-mails pedindo mais detalhes sobre a história. Então aqui está: prometo que essa é a última parte – a não ser que algo aconteça no futuro. Afinal, não tenho bola de cristal. Vamos lá.

Após o beijo que esperou dez anos, o casal desceu os 102 andares do Empire Stante e caminhou pela Quinta Avenida até o hotel. Nem bem entraram no quarto, deixaram as malas no chão e colocaram o amor em dia. Quem disse que ‘saudade’ só existe em português?

O fim de semana inesquecível teve passeios de mãos dadas pelo Central Park, visitas às galerias do SoHo, beijos elétricos sob os totens eletrônicos da Times Square. Se a vida fosse perfeita, ela seria exatamente assim.

Infelizmente para os casais apaixonados, o tempo não perdoa sua lógica inevitável de minutos após minutos, horas após horas. E chegou o dia do adeus. Os dois estão no aeroporto, esperando a voz apática do alto-falante chamar o número do vôo dele. O último beijo, o último carinho no rosto, a última troca de olhares. Próximo encontro? Ninguém tem coragem de sugerir.

O tempo passa e os e-mails e telefonemas vão ficando mais raros, até que desaparecem. E aquele fim de semana maravilhoso vira apenas uma memória distante, uma idéia abstrata do que pode ser a felicidade.

O ciclo desse casal parece girar em décadas. Dez anos depois, ele é convidado para ir novamente a Nova York, desta vez a trabalho. Resolve mandar um e-mail – não custa nada saber como anda a vida dela. Surpresa: ela mora em Nova York.

Muita coisa, porém, mudou. Ele se casou, tem filhos. Ela se casou, está grávida. Mesmo assim, ela o convida para jantar. Quer vê-lo; quer apresentá-lo ao marido.

Ele chega para o jantar com o mesmo nervosismo daquela tarde no Empire State, não sabe por quê. Ela também está suando frio, acha estranho vê-lo em casa conversando com o marido.

Duas da manhã, ele precisa ir embora. Agradece o jantar e, na hora da despedida, o velho casal troca um olhar cúmplice de quem sabe o que aquela noite representa. Um beijo no rosto marca o fim da história de amor. Ou não: nunca se sabe o que o futuro reserva para casais apaixonados… apenas que eles merecem ser felizes.

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