Uma história de amor (parte 1)

Estadão

03 de dezembro de 2008 | 12h21

Cary Grant

Cary Grant: Ele é o astro de ‘Tarde Demais Para Esquecer’, filme que serviu de inspiração para ‘Sintonia de Amor’,com Tom Hanks e Meg Ryan

Era uma vez um adolescente brasileiro que foi morar nos Estados Unidos para estudar na high school e aprender inglês. Alguns meses depois, esse cara conheceu na escola uma americana muito especial, uma daquelas garotinhas maravilhosas que parecem ter saído diretamente das telas de
uma sitcom.

Os dois se apaixonaram à primeira vista e começaram a namorar. Ele ficou fascinado por seu sorriso de cheerleader, os cabelos meio loiros meio ruivos, a pele branca como a neve que ele nunca tinha visto de perto. Ela também gostou de alguma coisa nele, talvez a personalidade extrovertida,
talvez o jeitinho brasileiro de quem está sempre de bem com a vida.

O namoro foi ficando sério, quer dizer, tão sério quanto pode ficar um namoro entre dois jovens de dezessete anos. O casalzinho, no entanto, sabia que o fim do relacionamento tinha data marcada.

Afinal, ele voltaria para o Brasil no fim do ano letivo e ela seguiria com
sua vida pelas planícies da América. Mas ainda faltava alguma coisa nessa história… e aí a americana deu um jeito de escrever uma nova página dessa love story. Apaixonada e curiosa, ela entrou para um programa de intercâmbio. O destino foi óbvio: Brasil. Em vez do jovem casal se despedir com um ‘adeus’, trocaram apenas um beijo de ‘até logo’.

Dois anos depois, foi a vez dela pegar um avião para conhecer o país dele.
Infelizmente a garota não conseguiu uma família para hospedá-la na cidade onde ele morava. O resultado foi um ano em que os dois passaram de rodoviária em rodoviária, alternando visitas à cidade do outro.

O ano acabou e eles se despediram novamente. Desta vez, porém, o próximo encontro não chegou a ser combinado.A vida ‘real’ estava prestes a começar, teriam agora que depender dos próprios salários para comprar as passagens…

Mas, como sempre acontece na ficção – e na vida real também –, o destino
não entrega os pontos facilmente. E armou mais uma para o casal: exatamente dez anos após a primeira despedida, ele conseguiu descolar uma viagem para os Estados Unidos.

Como nada é fácil nessa vida,a passagem dele era para Nova York, enquanto ela ainda morava em um pequeno estado no interior da América. Foi aí que ele pensou que, se a arte imita a vida, a vida também pode imitar a arte. E teve uma idéia genial: ir à locadora para alugar o filme ‘Tarde Demais Para Esquecer’.

(Continua na sexta-feira)

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