Uma grande mulher

Estadão

25 de junho de 2008 | 19h33

Há alguns dias eu andava pelas ruas de Higienópolis quando parei numa banca de jornais. Folheei uma revista, dei uma olhada em outra… quando olho para o lado, vejo que a ex-primeira dama, Ruth Cardoso, está do meu lado.

Cumprimentei-a dando um sorrisinho, que ela prontamente ‘respondeu’. Dona Ruth estava sozinha; nada de seguranças, nada de enormes entourages, nada de puxa-sacos. Como ex-primeira dama ela podia ter tudo isso, ou até pedir para algum Aspone abastecê-la com tranqueiras e artigos de luxo. Mas ela não precisava disso. E, mais importante ainda, não queria. Sua ambição era intelectual, não material. Voltou para casa a pé, com suas revistas e jornais nas mãos.

Poderia falar sobre várias razões que me levaram a admirá-la, da criação do programa Comunidade Solidária (que ensinava analfabetos a ler, entre outras coisas, em vez de apenas dar esmolas) à sóbria e ativa postura ao lado do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas prefiro dizer apenas que Dona Ruth fará falta, principalmente em um momento do país em que a palavra ‘ética’ anda resumida a um verbete num dicionário rasgado e jogado na sarjeta.

Fica aqui uma pequena homenagem a essa incrível mulher; uma prova de que as pessoas que realmente estão no alto não deixam o poder subir à cabeça.

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