Uma dose de humor melhora a vida

Estadão

05 de outubro de 2008 | 21h49

Chico Anysio dizia que o humor serve para muitas coisas, inclusive para fazer rir. É engraçado prestar atenção em como funciona a mente humana. Às vezes uma coisa idiota faz com que você se sinta supermal-humorado, com raiva de tudo. Aí acontece uma outra coisa – igualmente idiota – que faz você morrer de rir. E o seu dia muda completamente, de uma hora para outra. Para melhor, claro, porque aquela simples irritação que te incomodava faz você perceber como o ser humano é falível e como tantas coisas que nos incomodam são desproporcionalmente pequenas diante da complexidade que é a vida.

Há uma semana eu estava olhando pela janela, contemplativo, pensando na vida e irritado com coisas totalmente sem importância. Aí uma joaninha entrou pela janela e pousou na minha mão.

Como eu estava naqueles dias de TPM (Todos Podem Morrer), minha primeira reação foi dar um tapa no inseto e esmagá-lo como… bem, como um inseto mesmo. Mas a joaninha era tão colorida que fiquei observando o bichinho caminhar um pouco sobre a minha pele. Dizem que dá sorte, sei lá.

Olhando para aquela joaninha inofensiva, imediatamente me veio à cabeça uma idéia para um roteiro de cinema: um filme de terror meio GLS, com joaninhas invadindo uma cidade e destruindo tudo.

Você não precisa me dizer que essa trama é ridícula; eu sabia disso desde o momento em que a imagem chegou ao meu cérebro. Mas então comecei a viajar na maionese e até pensei no título do filme, ‘A Invasão das Joaninhas Assassinas’. Fiquei imaginando as tomadas de câmera, com as joaninhas pequenininhas e insignificantes dominando toda a cidade como num filme de terror B, uma mistura do seriado japonês Ultraman com ‘Os Pássaros’, de Hitchcock.

Não sei por que, mas comecei a rir sozinho dessa idéia idiota. E essa besteira toda alegrou o meu dia.

O que isso prova (além de que tenho o costume de rir sozinho de idéias idiotas)? Que bastam ‘cinco minutos’ para mudar o humor de qualquer um – e não estou falando daquele livro do José de Alencar. Tem dias, sim, em que tudo dá errado; em outros, nós realmente enfrentamos problemas sérios que merecem toda a nossa atenção e preocupação.

Mas aposto que na maioria das vezes o que nos incomoda é tão pequeno, tão insignificante, que até uma mísera joaninha pode resolver o problema.

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