Uma decepção não precisa ser para sempre

Estadão

18 de agosto de 2010 | 19h43

Angelina Jolie tem uma grande qualidade: ela nunca me decepcionou. A foto é de Jens Kalaene

Angelina Jolie tem uma grande qualidade: ela nunca me decepcionou. A foto é de Jens Kalaene

Qual é a influência que eventos que marcaram nossa infância têm sobre a gente? Depende, claro.
Obviamente não estou falando aqui de nenhum trauma sério, desses que deixam rastros pela vida inteira. Estou imaginando as consequências que pequenas coisas do passado trazem para a nossa experiência pessoal. Se você fizer essa pergunta a algum psicanalista, pode se preparar para passar os próximos anos da sua vida deitado em um divã ou confortavelmente sentado em uma poltrona moderninha.

Após algum tempo, você vai descobrir que aquilo que você nem lembrava direito que aconteceu tem algum efeito em quem você é hoje, para o bem ou para o mal. Como nunca fiz análise, não sei como isso se aplicaria às minhas experiências. Mas sou positivo: acredito que qualquer decepção pode ser superada.

É só a gente querer muito, e lutar por isso. Se eu fizesse análise, contaria para minha psicóloga que quando eu tinha 7 anos, era apaixonado por uma linda garotinha da escola. Ela era um ano mais velha, ou seja, nem sabia que eu existia. Mas sempre fui uma criança paciente, sabia que minha hora ia chegar.

Um dia aconteceu uma eleição, concurso, algo assim. Só sei que por alguma razão eu ganhei e fui eleito o ‘príncipe’ da escola. Você imagina o que isso pode fazer com a cabeça de um pirralho de 7 anos?

Acertou. O prêmio me trouxe poder, autoconfiança. Achei que era a hora perfeita para revolucionar minha existência: durante a minha ‘coroação’, tomei coragem e convidei a garota de 8 anos para ser a minha princesa. Enchi o peito, agi como se fosse o herói da história da Branca de Neve.

Ela disse não.

Não sei exatamente que tipo de impacto isso teve na minha vida. Provavelmente nenhum, já que a única pessoa que se lembrava disso era a própria garota. Sim, eu a encontrei anos mais tarde, em uma balada. Já éramos adultos, claro. Começamos a conversar, dar risadas e lembrar sobre os velhos tempos. Alguns dias depois, começamos a sair.

O que dizer desse episódio?

Não gosto de usar a palavra vingança porque acho muito forte. Mas confesso que sair com a garota por quem eu era apaixonado quando tinha 7 anos teve um gosto especial,como se o Felipe adulto tivesse provado que era possível superar a decepção do Felipe criança. E ainda dar a volta por cima.

Lembrei dessa história outro dia, nem sei porquê. E sorri, porque vi que coisas que parecem extremamente importantes em algum momento da vida nem sempre resistem ao teste do tempo. Decepções acontecem, mas passam. Ainda bem.

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