Um palco chamado São Paulo

Estadão

25 de janeiro de 2010 | 05h32

Céu

Com seu jeitinho criativo e contemporâneo, a cantora Céu é a cara de São Paulo. Com uma diferença: Céu é muito mais bonita

Hoje é aniversário de São Paulo, mas muita gente acha que a cidade não merece festa. Motivos para os críticos não faltam: enchentes, trânsito e violência são as primeiras das várias razões que me vêm à cabeça. Mas permita-me discordar um pouco desse pessimismo e dizer com todas as letras: apesar dos problemas, eu amo São Paulo.

Claro que tudo isso me incomoda. Mas é justo criticar a cidade? Não seria mais honesto admitir que ela é o reflexo do que fazemos dela? Por mais que São Paulo esteja linda como ‘personagem’ da novela das sete, é bom lembrar que suas ruas são apenas o palco onde nós, cidadãos, encenamos nossos próprios dramas, alegrias, fracassos, sucessos.

Não, não esqueci dos nossos políticos ridículos e incompetentes, responsáveis por muitos desses problemas. Mas até nesse caso a culpa também é nossa: eles não chegaram lá por acaso; foram eleitos. Se as eleições fossem em janeiro em vez de outubro, os candidatos pensariam duas vezes antes de dizer tanta besteira.

Dito isso, peço que você guarde a raiva na gaveta por um momento e reflita. Você não acha que a culpa pelas enchentes também é do cara que joga lixo no bueiro ou das empresas que poluem o Tietê? E o trânsito, não fica pior graças ao preguiçoso que tira o carro da garagem até para ir à esquina ou dos ricos que compram outro carro para fugir do rodízio? E o que você acha da garotada (de todas as classes sociais) que usa drogas na balada e daí é assaltada e reclama da violência do tráfico?

São Paulo não tem culpa. Voltando à metáfora do início do texto: a culpa nunca é do palco, mas dos atores. E os atores somos nós.

Vi uma pesquisa que diz que 57% dos entrevistados deixariam São Paulo se pudessem. Não entendi a expressão ‘se pudessem’. Quer dizer que são todos prisioneiros acorrentados aos pés de suas camas?

Quem quer ir embora de São Paulo, deve ir. Se eu quisesse uma vida mais fácil, com certeza me mudaria para o interior ou para a praia, sem problema nenhum. A verdade é que São Paulo não precisa de gente que odeia a cidade. São Paulo precisa de gente que quer fazer daqui o melhor lugar do mundo. Não só para nós, mas para nossos filhos. E se esses 57% de entrevistados deixassem mesmo a cidade, São Paulo ficaria como nas férias: mais vazia. E muito mais gostosa.

A minha São Paulo é maior do que os problemas que a afligem: é a cidade onde nasci, onde cresci, onde estão meus amigos e minha família. É por isso que eu te amo, São Paulo. Parabéns para nós, por termos você como palco das nossas vidas.

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