Um novo mestre italiano

Estadão

26 de setembro de 2007 | 10h06

baricco

Como todo fanático por literatura, gosto de experimentar novos escritores. Gosto de tentar entender como cada um apresenta seu estilo pessoal, sua própria maneira de construir frases e palavras ligadas umas às outras, criando imagens e universos. Quando são bem sucedidos, as ‘cenas’ e personagens gerados tornam-se inesquecíveis, permanecem com a gente durante muito tempo. E, de vez em quando, voltam à superfície, ressurgem diante de determinada situação; enfim, renascem e vivem para sempre na nossa memória.

Acabo de ler ‘Seda’, de Alessandro Baricco, escritor de 50 anos e um dos principais autores contemporâneos da Itália. Confesso que fiquei impressionado. É um livro estranho, único, bastante original. Delicada como o próprio título, a trama de ‘Seda’ desliza na frente dos olhos como um tecido liso e frio, surpreendendo pela elegância e simplicidade.

‘Seda’ conta a história de Hervé Joncour, um comerciante de seda que vive tranquilamente numa pequena cidade da França. Devido a uma praga que acaba com os bichos-de-seda que abastecem a economia da região, Hervé se vê obrigado a cruzar o mundo em pleno século XIX e buscar no Japão sua matéria-prima. Nasce daí uma fábula surreal feita de amor, choque cultural e tecidos nobres.

A seguir, um trecho:

“Baldabiou era o homem que vinte anos antes entrara na cidade, fora diretamente ao escritório do prefeito, entrara sem se fazer anunciar, pusera em cima da escrivaninha uma echarpe de seda de cor crepuscular e perguntara a ele
– Sabe o que é isto?
– Coisa de mulher.
– Errado. Coisa de homem: dinheiro.”

Legal, não é? A editora Cia. das Letras lança também outro título de Alessandro Baricco, ‘Esta História’, épico sobre guerra e automobilismo que já está no topo da pilha que paira sobre o meu criado-mudo. Pena que não temos tempo para ler todos os bons livros do mundo…

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