Um dia só para mim

Estadão

07 de julho de 2008 | 11h17

gclooney

No sábado passado aconteceu uma coisa inusitada: tirei o dia só para mim. Amo a minha família, mas quem é casado e tem filhos sabe do que eu estou falando.

Em primeiro lugar, acordei tarde. Maravilha. Comecei a pensar o que fazer e fiquei ansioso diante de tantas opções. Correr no parque? Almoçar com um amigo? Assistir àquele filme iraniano que ninguém mais quis ver? Tantas possibilidades me deixaram meio tenso. E se eu escolher o programa errado?

Para garantir, comecei com um ‘clássico’: café-da-manhã-com-jornal-na-padaria. É incrível como um simples pão na chapa e uma vitamina completa podem fazer um homem feliz.

Tudo bem, ótimo início. E agora? Sei lá, vou aproveitar para cortar o cabelo. Cheguei no salão do lado de casa e, enquanto esperava, comecei a folhear aquelas revistas de celebridades. E foi aí que meu dia começou a afundar.

Mostrei para a cabeleireira uma foto do George Clooney e perguntei se ela poderia fazer aquele corte. Ela começou a rir. “Aqui a gente não faz plástica, não”. Tudo bem. Vai ter troco. E teve: não deixei caixinha. Mas o estrago já estava feito.

E agora? Correr no clube ouvindo um som me parece um bom programa. Peguei o carro, fui para o clube e me vesti. Só que na hora de ligar o iPod veio a decepção: o iPod estava sem bateria. Tem coisa mais chata do que correr sem música? Bom, tudo bem, vamos lá. Na quarta volta, já com a respiração ofegante, uma abelha entrou na minha boca. Chega. Hora do banho.

Sabe aqueles assoalhos de banheiro de clube? Pois é, minha aliança caiu ali embaixo. Após meia hora e muitos palavrões, consegui alcançá-la.

Fiquei só um pouquinho mais mal-humorado, e decidi almoçar sozinho. Mas como acontece sempre que você quer almoçar sozinho, um conhecido, também sozinho, se ofereceu para me acompanhar. OK, claro. Estranhei porque ele estava vestindo uma gravatinha meio estranha e uma camisa xadrez, meio EMO. Como eu sabia que ele tinha filhos, tentei puxar papo e perguntei se ele ia levar a família a alguma festinha junina. Ele disse que não e perguntou por quê. Eu não sabia onde me enfiar. O clima ficou ruim e ficamos em silêncio até a sobremesa, quando a mulher dele chegou. Ela estava muitos quilos acima do normal e, para ser simpático, disse que ficava feliz em saber que eles teriam outro filho. Pena que ela não estava grávida.

Fui para casa, passei o resto da tarde lendo e rezei para minha família voltar logo. Férias sozinho? Não, obrigado.

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