Um desfile de matar

Estadão

23 de junho de 2008 | 11h27

kurkova

Karolina Kurkova (Nilton Fukuda/AE): A modelo tcheca é xará da minha mulher, ou seja, eu não correria risco de trocar os nomes

Diz a lenda que, para se sentir realizado na vida, um homem deve ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Gostaria de acrescentar um item à essa pequena lista: para ser realmente feliz, todo homem deveria assistir a um desfile de modelos de biquíni.

Foi o que eu tive o privilégio (e o prazer, para ser sincero) de fazer na última quarta-feira, em mais uma edição da São Paulo Fashion Week. Não entendo muito de moda, mas isso nem é necessário. O evento é bem mais divertido para quem presta mais atenção no que está escondido sob os tecidos.

E esses tecidos nem cobriram tanta coisa assim, já que esta edição do evento revela o que estará na moda na próxima estação do ano, ‘Primavera-Verão’ (o mundinho fashion tem apenas duas estações por ano, cada uma com seis meses de duração). Isso acaba até sendo engraçado, porque faz muito frio em São Paulo e a platéia passa os desfiles praticamente enrolada em casacos e cachecóis. Enquanto isso, as pobres modelos (coitadinhas, tão magrinhas) ficam andando de um lado para o outro com pouquíssima roupa.

Fiquei com tanta pena que em um desfile até subi na passarela para oferecer meu casaco, mas fui impedido por um segurança de quase dois metros. Não entendi por que – ele nem estava de biquíni.

Outra razão que confirma que todo homem precisa assistir a um desfile desses antes de morrer: será a única vez na vida que você vai poder olhar de alto a baixo uma mulher passando de biquíni na sua frente sem levar um tapa na cara da sua mulher.

Muitas coisas me surpreenderam nessa Fashion Week, entre elas o desfile da grife FH. Cheguei a pensar que veria o ex-presidente Fernando Henrique na passarela, mas daí descobri que a sigla era apenas a nova marca do estilista Fause Haten. E no desfile da Cavalera, os efeitos especiais fizeram com que algumas modelos levitassem na passarela (pelo menos foi o informou a assessoria de imprensa). Na minha opinião, porém, eu acho que elas levitaram porque estavam muito magrinhas. Cheguei a convidá-las para comer uma pizza no lounge do Estadão, mas não obtive resposta.

Para variar, também andaram falando sobre a celulite das modelos. Confesso que as dobrinhas não me incomodaram, nem quando eu estava sentado na primeira fila do desfile. Talvez algumas modelos não sejam perfeitas, mas na maioria das vezes o lugar do corpo onde mais existe celulite é mesmo na cabeça… das mulheres da platéia.

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