A mulher-acessório

Estadão

16 de julho de 2007 | 10h47

Tem homem que é viciado em comprar bugigangas eletrônicas. Outros adoram gastar dinheiro com carrões importados. Alguns representantes do sexo masculino, no entanto, preferem investir em um outro tipo de artigo igualmente supérfluo: a mulher-acessório.

Ela é uma versão pós-moderna da mulher-objeto. Ou um símbolo de status que você usa a tiracolo, uma espécie de peça de decoração que respira e que você leva para passear em ocasiões especiais. Não quer ir ao coquetel da empresa sozinho? É só escolher uma mulher-acessório que combine com a ocasião. Precisa de companhia para ir ao cinema com uma turma de casais descolados? Mulher-acessório vai muito bem com pipoca.

Para ser considerada uma mulher-acessório de verdade, a garota precisa ter algumas características básicas. Ser bonita, claro. Falar o mínimo possível também ajuda. Mas o importante mesmo é ter uma personalidade zero. E gostar muito de sexo com você – ou pelo menos fingir que gosta.
Se você não tem uma mulher-acessório à disposição, saiba que há várias maneiras de adquirir uma. Estabelecimentos especializados oferecem várias opções de modelos, mas algumas chegam a custar uma pequena fortuna. Nas casas noturnas da moda elas aparentemente são grátis – mas só aparentemente. Você vai ter de recompensá-las com jóias, jantares e viagens. A mulher-acessório, no fundo, é bem parecida com um relógio suíço: é uma máquina de qualidade, 100% previsível e o tempo dela vale ouro.

A mulher-acessório também é uma ótima companhia para quem gosta de… ficar sozinho. Ela não é, digamos, muito ‘interativa’, para usar uma expressão atual. Nesse aspecto, está mais para um uísque ou um charuto cubano: custa caro, mas pelo menos costuma dar prazer garantido ao proprietário.

Apesar de ela ter qualidades que não posso descrever nesta coluna, o melhor a fazer é fugir da mulher-acessório. Ela é vazia, interesseira e ainda traz um grande risco: você se apaixonar. Se esse dia chegar, de uma hora para a outra ela vira dona do pedaço, ganha uma personalidade que você nem desconfia de onde veio… e aí o acessório passa a ser você.

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