Terapia de boteco

Estadão

03 de junho de 2008 | 16h00

Em terapia
Cena da série ‘Em Terapia’, em cartaz na HBO

Para desanuviar as tensões provocadas pelo estresse do dia-a-dia (nossa, como consegui enfiar tantos clichês numa frase só?), saí na última quinta-feira para tomar um chope (22, para ser mais exato) com dois amigos. O resultado? A tradicional ‘Filosofia de Boteco’, cujos melhores (piores) momentos você acompanha a seguir:

1. Alguém comentou que assistiu ao programa ‘Em Terapia’, exibido no canal HBO, e achou bastante interessante. Começamos a discutir sobre a importância de se fazer terapia, análise, etc. (Nenhum de nós havia feito, então não havia muito o que comentar.) No meio do papo, alguém levantou a seguinte questão: ser terapeuta é uma atividade que não combina com determinados lugares. Havaí ou Fernando de Noronha, por exemplo. Ou você acha que existe algum surfista maníaco-depressivo? E por acaso você acha que alguém fica preso numa sala de terapia em um lugar onde as pessoas nadam com os golfinhos? Além dos surfistas, começamos a imaginar os terapeutas especializados em profissões específicas, como top models ou rockstars. Daí começamos a imaginar como seriam a sessões…

…do surfista:

“Pô, merrmão. Tô com um problema aí, tá ligado? O meu bródi entrou na minha frente num tubo, ele anda me atrapalhando e não anda me deixando pegar umas ondas maneiras. O que que eu faço, merrmão? E, para piorar, o cara não me devolve meu disco favorito do Jack Johnson.”

…da top model:

“Ai, tio, sabe assim? O meio da moda tem muita concorrência, é su-per-hor-ro-ro-so! Tipo assim, é fogo, vou ter que desfilar na Fashion Week antes da Gisele, sabe? Tipo assim, isso é uóóóó! E vou ter só dez minutos para fazer minha make e meu hair, entendeu? Tipo assim, isso é péééés-si-mo!”

…do rockstar:

“Cara, estou estressado. Pouco antes de eu quebrar o amplificador e colocar fogo´na guitarra… você acredita que a corda arrebentou? Não dá. Mandei chicotear meu roadie, o cara é um inútil. E você acredita que tinha apenas cinco groupies no meu camarim? E nenhuma delas era loira! Pô, assim não dá…”

Foram citados outros exemplos, todos nesse mesmo nível.

2. Chegamos a conclusão de que a Marjorie Estiano, a mocinha da ex-novela das oito, é uma gracinha. É uma daquelas menininhas pra casar, etc. Daí alguém levantou a bola: ‘sabe qual é o apelido da Marjorie Estiano?’ Todo mundo: ‘não, qual é?’. E o cara: ‘Marjorie 2008.’ Foi uma piada tão infâme que ninguém riu.

3. Homens são cruéis em relação a mulheres com problemas de peso, como vocês já devem saber. Foi diante de uma situação dessas que um dos presentes na mesa (não, não fui eu) comentou que uma garota de pé na calçada em frente ao bar, esperando para ser atendida, estava com vários quilinhos a mais na região, digamos, onde está localizada a parte do corpo que é considerada a preferência nacional. Foi aí que ele sugeriu o bolão: quantos quilos pesava aquela região específica? Dez? Quinze? Trinta? Não entramos nessa, até porque ninguém teria coragem de ir perguntar. E ele foi mais longe: chamou a nossa atenção para os sapatos da moça, aqueles de salto super-alto e ultra-fininho. Segundo o cara, a relação era totalmente desproporcional: “ela está indo contra a lei da gravidade; seria como colocar um palito de dente para sustentar essa bandeja de bolinho de bacalhau”, comparou. Eu e o outro cara achamos o comentário meio, digamos, cruel.

4. Comentamos rapidamente sobre a briga entre os integrantes do Ira!, que trocaram acusações e puseram um ponto final na carreira da banda de rock que já durava tantos anos. Daí alguém fez um comentário bastante pertinente: ‘Ué, peraí, uma banda com esse nome… como você queria que terminasse?’

5. Um dos integrantes da mesa era aquele meu amigo que é solteiro convicto. Quando começamos a discutir sobre trilhas sonoras roqueiras para casamentos, como ‘Love of My Life’, do Queen’, ou ‘One’, do U2, o cara se saiu com essa: “Música de casamento perfeita? Só se for a marcha fúnebre.” Achamos melhor não contraiar.

Como se vê, mais uma noite desperdiçada.

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