Oasis: Eles são rock and roll stars

Estadão

08 de maio de 2009 | 11h06

MARCOS ARCOVERDE/AE

Liam Gallagher: Rockstar à moda antiga. Mal-humorado e rebelde, mas as músicas são tão boas que a gente perdoa. Adoraria sentar com o Liam para tomar uma cerveja e falar mal de todo mundo

Alguém viu o show do Oasis no Rio quinta-feira à noite no Multishow? Foi muito bom, principalmente para quem já era fã da banda (como eu). Pode parecer meio estranho dizer isso, mas é bom ver que ainda existem rockstars por aí, caras que não estão nem aí para nada e só querem saber de festa e rock and roll. Mas vamos ser justos: o show foi muito bom, mas com algumas ressalvas.

Coisas legais

1. Minha música favorita estava no setlist, ‘Slide Away’. Ou seja, é grande a chance de que ela estará também no repertório do show de amanhã, no Anhembi, em São Paulo. Na verdade, o repertório é inteiro legal, com exceção de algumas músicas mais recentes que eu não conhecia direito (devem ser do disco novo, ‘Dig out Your Soul’). Mas eles sabem que o público quer mesmo é ouvir ‘Wonderwall’, ‘Morning Glory’, ‘Masterplan’, ‘Champagne Supernova’, etc., e tocam todas.

2. O Noel Gallagher não é um grande guitarrista, mas toca o suficiente para as músicas e tem um super bom gosto. É o que basta, não? Às vezes, é. Neste caso, por exemplo. Ele compensa sendo um grande compositor, um dos melhores (senão o melhor) dos anos 90.

3. Eles sempre quiseram ser os Beatles, e isso é sempre um ponto positivo (embora não tenham chegado nem perto, obviamente). Gostei do visual do tecladista Jay Darlington; talvez ele seja bisavô do John Lennon.

4. Adorei o visual do resto da banda também: todos cortam o cabelo igualzinho ao Noel, ou seja, em um péssimo barbeiro. Será que isso está no contrato?

5. As guitarras do Noel: o cara tem várias Gibson 335 e outros modelos vintage, devem ser dos anos 60/70. Dá para perceber pelo timbre que são instrumentos com pedigree. A pedaleira do Noel também é bem tradicional, cheguei a ver alguns pedaizinhos Boss no chão. Não há nada como ‘the real thing’.

6. O Noel cantando ‘Don’t Look Back in Anger’ (veja trecho no YouTube) foi um dos grandes momentos do rock and roll mundial em 2009. No futuro, quando se encher do irmão (Liam), Noel poderia facilmente sair em uma turnê estilo ‘Bob Dylan’, cantando e tocando sozinho. Suas músicas são tão boas que não precisam de nada mais que voz e violão para soarem perfeitas.

Coisas chatas

1. Por que será que o Rio tem um público de rock tão pequeno? Nunca entendi isso, ainda mais em uma cidade tão grande. O show foi no Citibank Hall, devia ter algo em torno de 5 mil pessoas na plateia. Aqui em São Paulo o público deve ser de 20 a 30 mil. Tudo bem, São Paulo sempre foi mais roqueira, mas a diferença é muito grande. Talvez o Rio seja um lugar mais de praia, o que signfica ‘samba’, ‘reggae’, ritmos menos urbanos. Mesmo assim, o público cantava todas as músicas e se emocionava. Se alguém do Rio puder explicar, eu agradeço.

3. O visual do show (pelo menos o do Rio) estava pobre e simples. Tudo bem, o importante é o som, blá, blá, blá. Mas todo mundo gosta de ver um cenário bonitão, luzes legais, etc.

Coisas legais e chatas ao mesmo tempo

1. O Liam canta, sim, mal ao vivo e não faz o menor esforço em ser simpático com o público. No entanto, essa arrogância é meio magnética, é difícil não ficar olhando para ele e prestar atenção no que ele vai fazer. Já me falaram que ele é lindo, mas tem ‘cara de louco’. Ele quase não se dirige ao público, mas nem faz diferença: esses roqueiros de Manchester falam um inglês tão esquisito e incompreensível que ninguém ia entender nada, mesmo. E o que era aquela roupa do vocalista? Ele estava com um macacão de nylon ridículo, parecia um mecânico (não que os mecânicos sejam ridículos, mas não é roupa para o palco… você entendeu). Dá para ser fã de um cara que fica metade do show com as mãos no bolso? Infelizmente, dá.

Resumindo: foi legal ver como será o show de amanhã em São Paulo. Nos vemos lá. E tomara que não chova, como na última vez em que eles estiveram aqui.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.