Será que foi um sonho?

Estadão

13 de dezembro de 2010 | 15h26

Is it a dream?

O que vou dizer é um clichê dos diabos, mas não consigo me segurar: o fascinante da vida é que ela muda de uma hora para outra. Quando menos se espera. Sem roteiro. Estale os dedos: sua vida acaba de mudar.

Algumas dessas transformações acontecem sem querer, é verdade. Estamos andando pela rua, assobiando, com as mãos nos bolsos, e simplesmente damos de cara com alguma novidade cruzando o nosso caminho. Não precisamos fazer nenhum esforço. Outras mudanças, no entanto, requerem mínimas condições básicas de temperatura e pressão: uma dose de bom humor aqui, um olhar mais sensível ali. Um coração aberto, enfim.

Você acredita em coincidências? Uma parte do meu cérebro diz que sim, a outra diz que não. Acho que no fundo elas são como as bruxas: a gente nunca acredita, mas que elas existem, existem. Ou será que esses estranhos acontecimentos só surgem quando abrimos a porta e as deixamos entrar? Não faz diferença. O que importa é que elas aparecem e nos forçam a tomar uma decisão. E tomar decisões é sempre uma coisa positiva, não?

Transformar-se é uma característica inerente a todo ser humano. Somos acostumados a transformações desde o dia em que nascemos. Estamos em constante evolução para sobreviver, e isso não é apenas uma observação darwinista tirada de algum livro de biologia. As espécies que se adaptam melhor ao seu habitat têm mais chances de sobreviver, aprendemos na escola.

Aplicando o conceito a nós, primatas inteligentes, podemos acrescentar também o aspecto psicológico dessa afirmação. Quem resiste melhor a pressões psicológicas têm mais chance de ser feliz. Ou achar que é feliz – o que é a mesma coisa.

Hoje sou isso, amanhã sou aquilo. Metamorfose ambulante. Não me peça para ser coerente: a coerência só é considerada uma qualidade pelos sem-imaginação. Revoluções por minuto, tudo ao mesmo tempo agora, o tempo não para.

Grandes histórias sempre te ensinam alguma coisa. É por isso que nunca devemos desistir: dá sempre para aprender algo novo. Tudo ensina. Somos esponjas emocionais absorvendo sentimentos e sensações através de cada poro.

De repente você abre os olhos e vê o futuro. Ele é divertido, lindo, brilhante. E daí você descobre que esse futuro sensacional sempre esteve lá, seus olhos é que estavam fechados. Por que você não abriu os olhos antes? Bem, porque quando a gente está dormindo… a gente não sabe que está dormindo.

Mas, afinal: foi ou não foi um sonho?

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