Seis cordas de adeus

Estadão

14 de maio de 2008 | 16h01

taffo

Seis cordas de luto: morreu na manhã de hoje o mestre Wander Taffo, um dos maiores guitarristas do país e diretor do EM&T, escola que revolucionou o ensino de instrumentos musicais no Brasil ao trazer para cá o modelo de aprendizado que fez sucesso no GIT (Guitar Institute of Technology) de Los Angeles, com workshops, aulas-shows, técnicas em vídeo, etc.

(O velório será em São Paulo, no Araçá (Av. Dr. Arnaldo, 668), a partir das 5h da manhã do dia 15 de junho)

Conheci o Taffo nos anos 90, na época em que ela era da banda que levava o seu nome, e que ele dividia com os irmãos Busic, o baterista Ivan e o baixista Andria, e o tecladista Marcelo Souss. Lembro que fiquei impressionado porque ele era muito técnico e usava coisas ‘supermodernas’ na época, como ‘two hands’ e alavancas, bem ao estilo de Eddie Van Halen. Mas o legal – e digo isso como guitarrista e fã – é que ele misturava esse som mais novo às técnicas do classic rock, estilo sobre o qual ele deitava e rolava.

A primeira pessoa que pensei em ligar para comentar o assunto foi o Ivan Busic, baterista do Dr. Sin. Ele me deu o seguinte depoimento:

“O Wander Taffo era um dos maiores guitarristas do mundo, na minha opinião”, disse o baterista Ivan Busic. “Por ter participado de várias bandas, ele é parte fundamental da história do rock brasileiro. E mais tarde, por causa do EM&T, ele ainda ajudou a formar toda uma geração de músicos. Além do lado musical, estou triste porque o cara era muito alto astral, tinha muito carisma. A gente não se via mais todos os dias, mas quando tocávamos juntos, convivemos muito durante três anos. Pode perguntara para qualquer guitarrista brasileiro, Taffo era um talento único, um gênio.”

A verdade é que Taffo era mesmo um guitarrista completo de rock and roll, com um currículo impressionante: tocou com o Memphis, Made in Brazil, Secos & Molhados, Gang 90, Rita Lee e Rádio Táxi, ou seja, nomes que praticamente inventaram o rock em São Paulo e no Brasil. Taffo morreu aos 53 anos, dias antes de seu aniversário (ele faria 54 no próximo sábado). Segundo funcionários do EM&T, a morte dele foi surpreendente e inexplicável: ele estava ontem na escola, trabalhando normalmente. Taffo sofreu um infarto hoje, um ataque fulminante enquanto tomava café da manhã.

Fica aqui um abraço para a família, os amigos e os fãs. Se algum de vocês ficar triste, faça como eu: imagine Taffo numa grande jam session no céu, ao lado de gigantes como Jimi Hendrix e Randy Rhoads.

Obrigado, Taffo, por tudo o que você fez pela guitarra brasileira.

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